Páginas

Mostrando postagens com marcador Dia Internacional da Mulher. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Dia Internacional da Mulher. Mostrar todas as postagens

8.3.13

Charlotte Gilman: um mundo ao contrário


O que aconteceria se uma mulher despertasse uma manhã transformada em homem?
E se a família não fosse o campo de treinamento onde o menino aprende a mandar e a menina a obedecer?
E se houvesse creches?
E se o marido participasse da limpeza e da cozinha?
E se a inocência se fizesse dignidade?
E se a razão e a emoção andassem de braços dados?
E se os pregadores e os jornais dissessem a verdade?
E se ninguém fosse propriedade de ninguém?

Charlotte Gilman delira. A imprensa norte-americana a ataca, chamando-a de mãe desnaturada; e mais ferozmente a atacam os fantasmas que moram em sua alma e a mordem por dentro. São eles, os temíveis inimigos que Charlotte contém, que às vezes consegue derrubá-la. Mas ela cai e se levanta, e cai e novamente se levanta, e torna a se lançar pelo caminho. 
Esta tenaz caminhadora viaja sem descanso pelos Estados Unidos, e por escrito e por falado vai anunciando, nos começos do século XX, um mundo ao contrário.

Eduardo Galeano. Mulheres. Trad. Eric Nepomuceno. Porto Alegre: L&PM, 2000.
Eduardo Galeano. O Século do Vento. Trad. Eric Nepomuceno. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1988.

Ser mulher é lutar para que seus direitos e desejos sejam respeitados



Depois da revolução sexual dos anos 1960, ficou mais fácil para a mulher fazer escolhas diferentes do que era esperado tradicionalmente: casar-se e ter filhos. Meio século depois, é impossível enumerar as possibilidades que uma mulher.

Priorizar a carreira, cuidar da casa e dos filhos, conciliar as duas coisas, casar-se com outra mulher, não se casar, cumprir o protocolo tradicional ou mesmo não fazer planos? As escolhas são muitas. Como são muitas as mulheres. E muitos sonhos, desejos, anseios. Diferentes escolhas mostram que não há fórmula para ser mulher. Nem para ser feliz. Ser mulher é lutar para que seus direitos e desejos sejam respeitados. Sejam eles quais forem...

8.3.12

Pablo Neruda: “Mujer”

Antes del hombre, la mujer, la madre,
durante el hombre, la mujer, la esposa,
después del hombre, la mujer, la sombra.
Sombra del hombre, claridad del hombre,
trabajadora dura en tus trabajos,
amorosa, estrellada como el cielo
en el ciclo tenaz de la ternura,
mujer valiente de las profesiones,
obrera de las fábricas crueles,
doctora luminosa junto a un niño,
lavandera de las ropas ajenas,
escritora que ciñes
una pequeña pluma como espada,
mujer del muerto que cayó en la mina
sepultado por el carbón sangriento,
solitaria mujer del navegante,
compañera del preso y del soldado,
mujer dulce que riega sus rosales,
mujer sagrada que de la miseria
multiplica su pan con llanto y lucha,
mujer,
título de oro y nombre de la tierra,
flor palpitante de la primavera
y levadura santa de la vida,
ha llegado la hora de la aurora,
la hora de los pétales del pan,
la hora de la luz organizada,
la hora de todas las mujeres juntas
defendiendo la paz, la tierra, el hijo.
Amor, dolor y lucha se congregan
en vuestros reunidos corazones
y mi palabra es ésta:
la tierra es grande y sufre:
está dando a luz el futuro:
ayudemos al nacimiento
de la igualdad y la alegría.

Poema “Mujer” que Pablo Neruda leyó en el Primer Congreso Latinoamericano de Mujeres, organizado en Santiago de Chile en 1959.

8.3.11

Direitos e trabalho decente para as trabalhadoras domésticas

Nota OIT: O trabalho doméstico remunerado na América Latina - “Um trabalho decente para as trabalhadoras domésticas do continente” 

Mais de 14 milhões de mulheres realizam trabalho doméstico remunerado na América Latina. Equivaleria dizer que de cada 100 trabalhadoras latino-americanas, 14 são empregadas domésticas*.

Ocupação mais comum entre as mulheres do continente, o trabalho doméstico remunerado é um dos com maior déficit de trabalho decente, estando com frequência associado a infrações trabalhistas. As trabalhadoras domésticas enfrentam extensas jornadas, baixas remunerações, escassa cobertura de proteção/previdência social e alto nível de descumprimento das normas trabalhistas.

Tendo em vista esta realidade, a Organização Internacional do Trabalho – OIT iniciou a discussão sobre a adoção de um instrumento normativo internacional (Convenção e/ou Recomendação), para garantir os direitos das trabalhadoras domésticas.

Caso seja adotada, esta Convenção estabelecerá as normas mínimas que irão orientar futuras modificações nas legislações e nas políticas relacionadas às trabalhadoras domésticas remuneradas em todo o mundo. Esta Convenção e a Recomendação ajudariam, ainda, a reforçar tanto o crescente reconhecimento da importância dos serviços de cuidado para o bem estar da sociedade como a maior preocupação com as condições de trabalho das trabalhadoras domésticas.

Com essa perspectiva, a OIT publicou a nota “Um trabalho decente para as trabalhadoras domésticas do continente”, a fim de subsidiar os debates sobre normas internacionais de proteção.

Para acessar essa nota da OIT e conhecer a realidade sobre a qual o desejado instrumento normativo internacional buscará incidir, clique aqui.

-------------------------------
*No Brasil, as empregadas domésticas somam 17% da força de trabalho feminina, liderando a lista de ocupações profissionais, sobretudo entre mulheres negras e pardas. Cf. “Trabalho doméstico no Brasil: Rumo ao reconhecimento institucional”

Mulher

Você que já foi escrava
E mucama de feitor
Foi súdita de todos os reinados
E virou propriedade
Registrada por sobrenome
Cidadã pela metade.

E já viveu festas e guerras
Invernos e primaveras
E a tantos foi prometida
Em meses de maio sem fim...
Sepultando seus amores
Seus horrores e segredos
Escondendo seus desejos
Torturando-se em seus medos.

Você que enfrenta todas as barras
Seja fora ou entre os seus
Musa, mãe, trabalhadora
Operária, camponesa
Estudante, professora.

Você que ama e sorri
Você que às vezes chora
Morde os lábios
Enxuga as lágrimas
E não desiste.

Você é maravilhosa
É sempre algo de novo
É a mulher militante
Mistura de luta e paixão
Com o homem, lado a lado
Em busca da emancipação.

(Luiz Carlos Orro)

2.3.11

As mulheres estão nas ruas contra o agronegócio e os agrotóxicos


“A luta das mulheres da Via Campesina é contra as empresas do setor de produção e utilização de venenos e agrotóxicos. Por quê?

O Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos em todo o mundo desde 2008 e movimenta um lucro de 7, 1 bilhões de dólares. Em 2008 o país consumiu 733,9 milhões de toneladas de venenos.

O responsável é o agronegócio, que é formado pela combinação entre latifúndio, ciência e tecnologia, capital financeiro, indústria química e metalúrgica, financiamento público e mídia. Baseado na produção em forma de monocultura.

O agronegócio é o novo rosto do latifúndio.

Mantém a mesma lógica de produção em grandes extensões de terras - para isso, concentra cada vez mais - péssimas condições de trabalho, devastação dos recursos naturais, trabalho escravo e produzir para exportar.

Essa lógica produtiva provoca a expulsão do campesinato e de populações tradicionais das suas terras, a contaminação dos trabalhadores e trabalhadoras e o aprofundamento da crise ambiental e das mudanças climáticas. Esse atual modelo de desenvolvimento para o campo visa manter um padrão de produção e de consumo ambientalmente insustentável e socialmente injusto.

A vida no campo e a produção de alimentos estão ameaçadas com o desaparecimento de sementes crioulas, a perda de biodiversidade e a ameaça a segurança alimentar em virtude da liberação comercial de cultivos transgênicos, do uso de agrotóxicos e da expansão das monoculturas de exportação.

Além disso, o controle da cadeia produtiva alimentar pelas grandes transnacionais ameaça a soberania alimentar e a saúde da população Esse modelo de desenvolvimento é devastador e causa sérios problemas sócio-ambientais.”



Ação é organizada pelas mulheres da Via Campesina, Movimento dos Trabalhadores Desempregados (MTD), Levante da Juventude e Intersindical. Ler manifesto das mulheres trabalhadoras em luta do Rio Grande do Sul

8.3.10

A essas e tantas outras...

"Essas que se embrenharam mata adentro
e se negaram aos colonizadores
e as que colaboraram com eles,
Essas que embarcaram ainda crianças
e as que ultrapassaram os limites da chegada,
Essas que levaram chibatadas e marcas de ferro quente
e as que se revoltaram e fundaram quilombos,
Essas que vieram embaladas por sonhos
e as que atravessaram nos porões da escuridão,
Essas que geraram filhas e filhos
e as que nunca pariram,
Essas que acenderam todos as espécies de velas
e as que arderam nas fogueiras,
Essas que lutaram com armas
e as que combateram sem elas,
Essas que cantaram, dançaram, pintaram e bordaram
E as que só criaram empecilhos,
Essas que escreveram e traduziram seus sentimentos
e as que nem mesmo assinavam o nome,
Essas que clamaram por conhecimento e escolas
e as que derrubaram os muros com os dedos,
Essas que trabalharam nos escritórios e fábricas
e as que empunharam as enxadas nos campos,
Essas que ocuparam ruas e praças
e as que ficaram em casa,
Essas que quiseram se tornar cidadãs
e as que imaginaram todas votando,
Essas que assumiram os lugares até então proibidos
e as que elegeram as outras,
Essas que cuidaram e trataram dos diferentes males
e as que adoeceram por eles,
Essas que alimentaram
e aplacaram os vários tipos de fome
e aquelas que arrumaram a mesa,
Essas que atenderam, datilografaram e secretariaram
e aquelas que lavaram e passaram sem conseguir atenção,
Essas que se doutoraram e ensinaram
e as que aprenderam com a vida,
Essas que nadaram, correram e pularam
e as que sustentaram a partida,
Essas que não se comportaram bem
e amaram de todas as maneiras
e as que fizeram sem pedir licença,
Essas que desafinaram o coro do destino
e as que com isso abriram as alas e as asas,
Essas que ficaram de fora
e aquelas que ainda virão,
Essas e tantas outras que existiram dentro da gente
E as que viveram por nós."

(Schuma Schumaher. Érico Brazil.
A essas e tantas outras. Dicionário Mulheres do Brasil)

5.3.10

Dia Internacional da Mulher

Vai chegando o 8 de março: Dia Internacional da Mulher – que em 2010, completa 100 anos.
Compreendo que as mulheres são infinitamente superiores aos homens, mas muito mais que render homenagens estéticas..., sempre penso que se deve ter a consciência (histórica) de entender esta data como reflexão-ação (continuada em todos os outros dias) em prol dos direitos humanos das mulheres...
Infelizmente, há uma brutal violação/negação da dignidade feminina. Embora lutem(!), elas não conseguiram desconstruir culturalmente o machismo nem conquistar plena e concretamente a igualdade de gênero... E ainda sofrem, por exemplo, com as variadas formas de violência doméstica, assim como com as tantas maneiras de discriminação, exclusão, exploração...
Uma prova disso foi aquilo que o recente documento, divulgado pela Organização Internacional do Trabalho - OIT-Brasil, expôs: “trabalho doméstico e equilíbrio entre trabalho e família são prioridades para a promoção da igualdade de oportunidades e tratamento no Brasil”. Duas constatações desse documento da OIT-Br são reveladoras:
  • Apesar de empregar um número significativo de mulheres, o trabalho doméstico é caracterizado pela precariedade: [...], somente 26,8% do total de trabalhadoras domésticas tinham carteira de trabalho assinada, e, entre as trabalhadoras domésticas negras, 76% não têm carteira assinada.
  • Mulheres têm uma jornada semanal superior à dos homens: ao se conjugarem as informações relativas às horas de trabalho dedicadas às tarefas domésticas (reprodução social) com àquelas referentes à jornada exercida no mercado de trabalho (produção econômica), constata-se que, apesar da jornada semanal média das mulheres no mercado de trabalho ser inferior a dos homens (34,8 contra 42,7 horas), ao computar-se o trabalho realizado no âmbito doméstico (os afazeres domésticos), a jornada média semanal total das mulheres alcança 57,1 horas e ultrapassa em quase cinco horas a dos homens (52,3 horas). - Veja texto completo de estudo divulgado pela OIT
Daí não ser à toa, de outro lado, o Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher – Unifem promover/estimular tantos projetos e ações de combate à violência, à discriminação, à injustiça...
Tampouco é irrelevante a “Jornada de Lutas” – promovida pelos movimentos das mulheres da cidade e do campo - a qual, aliás, vale apoiar e conferir mais, mais e mais!
Então, por tudo isso..., que Dia Internacional da Mulher proporcione, sempre a todas e todos, uma consciente reflexão-ação!
É isso, valeu!