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12.2.11

Perfazer do corpo, o corpo da poesia


Dizer do corpo
o corpo da poesia
...
Pensar do corpo
o corpo da poesia
...
Escrever do corpo
o corpo da poesia
...
(O Corpo, Dois Corpos,
Maria Teresa Horta)

31.7.10

é quando o amor morre de amor

Quem ousará dizer que ele é só Alma?
Quem não sente no corpo a alma expandir-se
até desabrochar um puro grito
de orgasmo, num instante infinito?
...
E prossegue e se espraia de tal sorte
que, além de nós, além da própria vida,
como activa abstração que se faz carne,
a idéia de gozar está gozando.

E num sofrer de gozo entre palavras,
menos que isto, sons, arquejos, ais,
um só espasmo em nós atinge o climax:
é quando o amor morre de amor, divino.
...
Então a paz se instaura. A paz dos deuses,
estendidos na cama, estátuas
estátuas vestidas de suor, agradecendo
o que a um deus acrescenta o amor terrestre.

(P.M.S.Duarte - Amor)

19.6.10

Ao fim deste nosso outono

14
Nos quatro pontos cardeais os vigias defendem o
sono cansado da tribo ou rebanho de gente que
vagueia pelos campos

Um homem ao norte uma mulher ao sul outro
homem a oriente e a ocidente a segunda mulher

Estão sentados de pernas cruzadas atentos a
todas as sombras e gritam quando há perigo

Mas porque os perseguidores não gostam de
atacar na escuridão a noite decorre muitas vezes
calma apenas fria

Ao amanhecer a tribo acorda e divide-se em
quatro grupos conforme os pontos cardeais e vai
agradecer aos vigias a vida conservada

Depois o homem do norte e a mulher do sul o
homem do oriente e a mulher do ocidente juntam os
sexos porque assim foi decidido que deveria
acontecer todas as manhãs

Enquanto a união dura cantam em redor a única
canção feliz que não esqueceram

O sol levanta-se sobre os quatro corpos nus que
são a esperança inconsciente da tribo

Entretanto acende-se a primeira fogueira e o
fumo azul da lenha sobe para o céu

(José Saramago. O Ano de 1993. 1975)

15.5.10

As Janelas


“Aquele que olha de fora através de uma janela aberta, não vê nunca tantas coisas quanto aquele que olha uma janela fechada. Não há objeto mais profundo, mais misterioso, mais fecundo, mais tenebroso, mais radiante do que uma janela iluminada por uma candeia. O que se pode ver à luz do sol é sempre menos interessante do que o que se passa por detrás de uma vidraça. Neste buraco negro ou luminoso vive a vida, sonha a vida, sofre a vida...”
(Charles Baudelaire. As Janelas)

26.3.10

Corpos

“...
Não há discurso
erótico
que resista
à mudez
desta nudez
tumultuosamente
sinfônica.”

19.3.10

Erotismo-e-Arte

“O erotismo é uma das bases do conhecimento de nós próprios, tão indispensável como a poesia.”


Erotismo-e-Arte (imagino que andam tão juntinhas..., entrando e se confundindo uma na outra, nessa manha de exprimir os corpos erotikós em obras artísticas...)

Ahãn! Concordo com quem entende que o erotismo agrega as expressões culturais e artísticas humanas relativas à estética sexual, à sexualidade...

E sendo “tão indispensável como a poesia”, marco aqui o espaço – Erotismo-e-Arte – o meu ErotArt

É isso, valeu!