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6.3.12

Comunismo às avessas

...
Era o governo de Juscelino Kubitschek. Depois viria Jânio Quadros e, em seguida, João Goulart, quando a luta pela reforma agrária recrudesceu.

Contam que um fazendeiro, assustado com as Ligas Camponesas, reuniu os seus empregados e explicou-lhes que o comunismo era uma desgraça, ninguém tinha direito a nada, tudo o que produzissem lhes seria tomado.

Foi quando um camponês pediu a palavra: “Pelo o que o senhor acabou de dizer, acho que já estamos num comunismo brabo danado”.

Trecho do texto Chega de Mau Humor, de Ferreira Gullar.

3.10.11

Humor inteligentemente crítico é possível criar e recriar


TV Pirata: Pai, sou negro!


Parafernalha: Tempos Modernos

Esses dois vídeos revelam como é possível produzir humor com inteligência e crítica.
Diferentemente das nada-engraçadas “piadinhas” preconceituosas, racistas, misóginas...
feitas por um tal Rafinha Bastos e cia.

16.3.11

G7 - “Como Passar em Concurso Público”

Cia. G7, entre outros espetáculos de sucesso, apresenta a peça “Como Passar em Concurso Público”, uma comédia sobre aqueles cursinhos preparatórios típicos e seus concurseiros...

Com muito humor, ao longo deste espetáculo, o grupo mostra “dicas pra aprovação”, mas que funcionam como trocadilho e piada, para arrancar gargalhadas do público. E, tirando onda do universo de “concurseiro”, a peça conta história de “Zé Brasileiro”: um candidato que é empurrado pra essa o “mundo dos cursinhos e concursos” desde a infância, quando os pais embutiram na cabeça do filho a ideia de seguir a carreira pública, de técnico judiciário. Mas o problema é que o “Zé” tem dúvida se quer mesmo ser dessa profissão e, como nunca passa nos concursos, então os pais dele começam a apelar até para os milagres divinos.

Mesmo para quem não teve ainda oportunidade de ver, dá para encontrar/assistir pequenos trechos da peça em vídeos, no YouTube e/ou SimplesmenteG7.
Dá uma bizoiada! Os caras são hilários!


7.3.11

coisas do carnaval

Nani: O Bloco dos Intelectuais

Uma turma de intelectuais que se reunia sempre num bar que um deles abriu por hobby chamado Encouraçado Botequim resolveu fazer um bloco para sair no carnaval. Eram todos senhores gordos com suas mulheres (quase) todas gordas. Compraram os instrumentos: caixas, tamborins, pandeiros, cuícas, surdão, agogô, reco-reco, etc. As mulheres combinaram que sairiam vestidas com roupas romanas estilizadas fazendo a ala das Messalinas de Rubens. O problema maior foi arranjar o nome do bloco.

– Filhos de Kant – sugeriu Douglas – Lembra “Filhos de Ghandi. Sacaram? – A sugestão levou vaias. A turma da psicanalise sugeriu: “Freud em Viena Com Viagra” e “ Amigo Urso Bipolar”. Ninguém gostou.

Os economistas buscaram inspiração no economês:

– “Ótimos de Pareto”– nome sacado por Heleno, professor de economia da PUC, foi recusado. Anísio do BNDES tentou emplacar “Laissez-faire, laissez passer”. Ou só “Laissez Passer”– Ele tentou defender também a tradução: “Deixa Passar”. Mas o nome foi eliminado por parecer que era bloco de passadeiras de roupa.

Um outro economista gritou: “Stop and Go”. Que alguém, traduzindo e abrasileirando perguntou: – Porque não “Vai Não Vai?” Mas era popular demais para aquela turma.

Ceará, o garçom, disse baixinho para Suzana: – Nome de bloco é “Xupa Mas Não Baba”, “Sovaco de Cristo”, “Vem Ni Mim Que Eu Sou Facinha”... essas coisas.

Frederico, professor de História, concordou que tinha que ter erotismo e sugeriu:

– “Emigrantes de Sodoma”. Houve vaias, mas obteve 4 votos.

– Vocês pensam demais – comentou o garçom.

Isso fez alguém comentar: “Penso, logo existo”. E como o filósofo foi lembrado, Bernardo, sociólogo, concordou com Ceará e disse que Descartes tinha que ligar o foda-se! Palmas, ovações. O nome foi aprovado. O bloco foi batizado com o nome de “Descartes Ligou o Foda-se”.

– Vai ser engraçado ver esta turma de barrigudos sambando – o garçom comentou baixinho, mas todos ouviram...

E o bloco dos intelectuais saiu no carnaval, desta feita, cantando a marchinha “Moby Dick Sem Colesterol” - conta o causo Nani
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4.12.10

Cuidado, o linguajar forense pode ser contagioso...

Dois zeladores do fórum, muito caipiras mas extremamente observadores, numa certa manhã de pouco serviço, depois de vinte anos de trabalho no local, habituados ao linguajar forense, postaram-se a prosear:

- Compadre João, hoje amanheci agravado. Tentei embargar esse meu sentimento retido, até que decaí. “Cassei” uma forma de penhorar uma melhora, arrestar um alento, seqüestrar um alívio, mas a dor fez busca e a apreensão da minha felicidade. Tive uma conversa sumária com a minha filha sobre o ordinário do noivo dela. Disse que vou leva aquele réu pro Fórum, seja em que foro for. Vou pedir ao Juízo, ao Ministério Público, de qualquer instância ou entrância. Não importa a jurisdição, mas esse ano aquele condenado casa.

- Calma, compadre Pedro - interrompeu o zelador João - Preliminarmente, sem querer contestar ou impugnar sua inicial, aconselho o senhor a dar uma oportunidade de defesa para o requerido - atente para o contraditório. Eu até dou pro senhor uma jurisprudência a respeito: minha filha tinha, também, um namorado contumaz, quase revel. O caso deles, em comparação ao da sua filha, é litispendência pura; conexão, continência… E eu consegui resolver o incidente. Acho que o senhor tá julgando só com base na forma, sem analisar o mérito.

O zelador Pedro, após ouvir, retrucou:
- Mas compadre, não tem jeito. O indiciado não segue o rito: se eu mostro razão, ele contra-razoa; se eu contesto, ele replica. Pra falar a verdade, tô perdendo a contrafé. Achei que, passada a fase instrutória, depois da especificação, a coisa fosse melhorar. Mas não. Já tentei de toda forma sanear a lide - tudo em vão. Baixei, outro dia, um provimento, cobrando custas pelo uso do sofá lá de casa, objeto material que os dois usam de madrugada. No entanto, ele, achando interlocutória minha decisão, apelou, e disse que não paga nem por precatório. Aí eu perdi as estribeiras: desobedeci o princípio da fungibilidade e deixei de receber o recurso…

- Nossa, compadre, o senhor chegou a esse ponto? - indagou o zelador João, que continuou:
- Mas, compadre, o bem tutelado é sua filha - releve. Faça o seguinte, compadre Pedro: marque uma audiência, ouça testemunhas e nomeie perito. Só assim vamos saber se a menina ainda é moça. Se houve atentado ao pudor ou se a sedução se consumou.

Pedro ouvia atento, quando interferiu:
- É mesmo, compadre. Se ele não comparecer, busco debaixo de vara; ainda assim, se não encontrar ele, aplico a confissão ficta.
… Quando eu lembro que ele tá quase abandonando a causa… Minha filha naquela carência, e o suplicado sem interesse; ela com toda legitimidade, e ele só litigando de má-fé.

- Isso mesmo, compadre Pedro - apoiou João, que completou:
- O processo deve ser esse. O procedimento escolhido é o mais certo. Mas, antes de sentenciar, inspecione e verifique se tudo foi certificado. Dê um prazo peremptório, veja o direito substantivo e procure algum adjetivo na conduta típica do elemento. Cuidado para não haver defeito de representação, pois do contrário, tudo pode ser baixado em diligência.

… Só tem um problema - ponderou:
- É que a comadre é uma tribunal - o senhor é “a quo” e ela é “ad quem”… Se sua mulher der apoio ao rapaz, tá tudo perdido: baixa um acórdão já transitado em julgado, encerra a atividade jurisdicional do senhor e manda tirar o nome do moço do rol dos culpados, incluindo o compadre.

- É… É, compadre - disse Pedro desanimado. O senhor tem razão. Eu vô é largar mão dessa minha improcedência, efrescar meus memoriais, e extinguir o caso, arquivando o feito, com baixa na distribuição. Acho, até, com base na verdade real, que a questão de fundo da menina já foi sucumbida pelo indiciado. Não cabe nem rescisória.

E no mesmíssimo momento, exclamaram os compadres:

- “Data vênia”!

28.11.10

Pena de morte

“Uma imensa seca deixou a selva sem comida.

O leão, querendo ser democrático, propõe que se faça uma competição de piadas. Quem fizesse rir os demais animais se salvaria, mas se um não risse, o contador da piada seria morto. Todos concordaram.

Pela ordem, o coelho foi escolhido encabeçar a competição. Contou uma piada engraçadíssima. Todos riram, menos a tartaruga. Foi o suficiente para que o coelho fosse sacrificado.

Depois veio o urso, que como o coelho contou uma boa piada. Todos riram, menos a tartaruga. Pela regra, mataram o urso.

O terceiro era o cavalo, que contou uma piada completamente sem graça. Ninguém riu, menos a tartaruga. Ela se dobrava de rir enquanto dizia:

– Maravilhosa! Maravilhosa a piada do coelho!”

24.10.10

Velha anedota

Tertuliano, frívolo peralta,
Que foi um paspalhão desde fedelho,
Tipo incapaz de ouvir um bom conselho,
Tipo que, morto, não faria falta;

Lá um dia deixou de andar à malta,
E, indo à casa do pai, honrado velho,
A sós na sala, diante de um espelho,
À própria imagem disse em voz bem alta:

- Tertuliano, és um rapaz formoso!
És simpático, és rico, és talentoso!
Que mais no mundo se te faz preciso? -

Penetrando na sala, o pai sisudo,
Que por trás da cortina ouvira tudo,
Severamente respondeu: – Juízo. –

(Artur Azevedo)

17.10.10

(a)cúmulo...

“Eu pensava que era pobre.
Aí, disseram que eu não era pobre,
eu era necessitado.
Aí, disseram que era autodefesa eu me considerar necessitado,
eu era deficiente.
Aí, disseram que deficiente era uma péssima imagem,
eu era carente.
Aí, disseram que carente era um termo inadequado,
eu era desprivilegiado.
Até hoje eu não tenho um tostão,
mas tenho já um grande vocabulário.”
                                                                                 (J.Feiffer)

11.10.10

Aos adultos enxeridos, metidos...

“Um homem estava sentado no avião, ao lado de uma menininha. O cara olhou a criança e lhe disse:
- Vamos conversar? Tenho certeza que a viagem parecerá mais rápida. O que você acha?

A menina, que acabava de abrir um livro para ler, o fechou lentamente e respondeu com voz suave:
- Sobre o que gostaria de conversar?

- Bom, não sei – disse o homem. Que tal física nuclear? – e mostrou um grande sorriso.

- Bom – disse a pequena – esse parece ser um tema interessante. Mas antes, gostaria de lhe fazer uma pergunta: o cavalo, a vaca e a ovelha comem a mesma coisa: capim, não é mesmo ? Porém, o excremento da ovelha é um monte de pequenas bolinhas, o da vaca é uma pasta e o do cavalo é um monte de pelotas secas. Por que o senhor acha que isto acontece?

O cara, visivelmente surpreso com a inteligência da menina, pensou durante uns momentos e respondeu:
- Hummm, não faço a menor idéia.

E então, a menininha disse:
- Sinceramente, o senhor se sente qualificado para discutir física nuclear, se não sabe de bosta nenhuma?”