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2.8.10

Dogma/Dogmatismo


O dogma pode ser entendido como qualquer idéia ou pensamento que se apresenta como verdade certa e indiscutível; podendo designar uma doutrina que se apoia na autoridade de sua fonte, devendo, assim, prevalecer sobre qualquer dúvida, vale dizer, devendo ser aceita sem contestação.

Por extensão, o dogmatismo pode ser designado como a convicção absoluta, não aberta à crítica, da verdade de dogmas religiosos ou ideológicos. Diz-se, também, do pensamento de quem – de um modo autoritário e peremptório – guia-se e quer que se orientem por princípios considerados incontestáveis.

O dogma é a petrificação da doutrina. Apega-se, antes, à letra da teoria: ele não admite o desenvolvimento e as revisões doutrinárias. Em conseqüência, e sobretudo no emprego do adjetivo-dogmático – e do substantivo-dogmatismo –, evoca a rigidez, mais próxima da opinião imutável. (LYRA FILHO, 1983)

Dogma e dogmatismo, portanto, revelam a tendência a enuclear-se em torno das idéias de teoria assente ou práxis obrigatória, amparadas no argumento da autoridade ou na determinação do poder, sem qualquer apoio em experimento ou demonstração. Um dogmatismo é uma tese aceita às cegas, sem crítica, sem levar em conta as condições de sua aplicação. O dogmatismo é característico de todos os sistemas que defendem o caduco, o reacionário e combatem o novo, o progressista. (LYRA FILHO, 1980)

LYRA FILHO, Roberto. Para um Direito sem Dogmas. Porto Alegre: Sergio Antonio Fabris Editor, 1980.
LYRA FILHO, Roberto. Humanismo Dialético. In: Direito e Avesso. Brasília, ano II, nº 3, Jan/Jun, 1983.

31.7.10

O Êxtase...

é quando o amor morre de amor

Quem ousará dizer que ele é só Alma?
Quem não sente no corpo a alma expandir-se
até desabrochar um puro grito
de orgasmo, num instante infinito?
...
E prossegue e se espraia de tal sorte
que, além de nós, além da própria vida,
como activa abstração que se faz carne,
a idéia de gozar está gozando.

E num sofrer de gozo entre palavras,
menos que isto, sons, arquejos, ais,
um só espasmo em nós atinge o climax:
é quando o amor morre de amor, divino.
...
Então a paz se instaura. A paz dos deuses,
estendidos na cama, estátuas
estátuas vestidas de suor, agradecendo
o que a um deus acrescenta o amor terrestre.

(P.M.S.Duarte - Amor)

30.7.10

...

...reticências são gotas de mar alto onde se afogam palavras...
(L.Reis)

Eu apresento a página branca

Eu apresento a página branca.
                                              Contra:
Burocratas travestidos de poetas
Sem-graças travestidos de sérios
Anões travestidos de crianças
Complacentes travestidos de justos
Jingles travestidos de rock
Estórias travestidas de cinema
Chatos travestidos de coitados
Passivos travestidos de pacatos
Medo travestido de senso
Censores travestidos de sensores
Palavras travestidas de sentido
Palavras caladas travestidas de silêncio
Obscuros travestidos de complexos
Bois travestidos de touros
Fraquezas travestidas de virtudes
Bagaços travestidos de polpa
Bagos travestidos de cérebros
Celas travestidas de lares
Paisanas travestidos de drogados
Lobos travestidos de cordeiros
Pedantes travestidos de cultos
Egos travestidos de eros
Lerdos travestidos de zen
Burrice travestida de citações
água travestida de chuva
aquário travestido de tevê
água travestida de vinho
água solta apagando o afago do fogo
água mole sem pedra dura
água parada onde estagnam os impulsos
água que turva as lentes e enferruja as lâminas
água morna do bom gosto, do bom senso e das boas intenções
insípida, amorfa, inodora, incolor
água que o comerciante esperto coloca na garrafa para diluir o whisky
água onde não há seca
água onde não há sede
água em abundância
água em excesso
água em palavras.

Eu apresento a página branca.
A árvore sem sementes.
O vidro sem nada na frente.
                                 Contra a água.

Arnaldo Antunes in Tudos

29.7.10

Dante Ramon Ledesma - América Latina


Um brado à consciência crítica e à união entre os povos explorados da
“América Latina, Latina América, Amada América, de sangue e suor”