Páginas

Mostrando postagens com marcador Mídia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Mídia. Mostrar todas as postagens

24.5.12

Veneno para crianças

O que esperar de uma família que oferece na mesa os mesmos produtos nocivos do camelô da esquina?
Frei Betto*

“As crianças de todas as regiões das Américas estão sujeitas à publicidade invasiva e implacável de alimentos de baixo ou nenhum valor nutricional, ricos em gordura, açúcar ou sal”, constata pesquisa da Organização Pan-Americana da Saúde (2012). Basta olhar em volta para verificar que nossas crianças (com menos de 16 anos de idade) apresentam elevada taxa de obesidade e doenças crônicas relacionadas à nutrição, como diabetes e distúrbios cardiovasculares.

Um dos fatores que mais influenciam maus hábitos alimentares nessa faixa etária é a publicidade de produtos de baixo valor nutritivo, como cereais matinais já adoçados, refrigerantes, doces, sorvetes, salgadinhos e fast food. Eles “enchem” a barriga, trazem sensação de saciedade sem, no entanto, suprir as necessidades nutricionais básicas.

Resolução da Organização Mundial da Saúde, de maio de 2010, instou os governos a se esforçarem por restringir a promoção e a publicidade de alimentos para crianças. O mais poderoso veículo de promoção de alimentos nocivos é a TV. Expostas excessivamente a ela, as crianças tendem a querer consumir as marcas ali anunciadas. Em geral, a propaganda cria vínculos emocionais entre o produto e o consumidor, e envolve brindes, concursos e competições.

Sob o pretexto de atividades filantrópicas nas escolas, empresas de alimentos não saudáveis aumentam seu poder de domesticação. Pesquisas brasileiras indicam que assistir a TV por mais de duas horas por dia influi no aumento do índice de massa corporal em meninos.

Relatório de agência de pesquisa de mercado aponta que, no Brasil, na Argentina e no México, 75% das mães com filhos de 3 a 9 anos acreditam que a publicidade influencia os pedidos das crianças na compra de alimentos (no Brasil, 83%). No Reino Unido, é proibida na TV a publicidade de alimentos não saudáveis. A Irlanda limita a presença de celebridades nesses anúncios e exige o uso de advertências. A Espanha desenvolveu um código autorregulatório e restringe o uso de celebridades e a distribuição de produtos no mercado.

Segundo relatório do Ministério da Saúde (2008), durante um ano, no Brasil, mais de 4 mil comerciais de alimentos foram veiculados na TV e em revistas, dos quais 72% referiam-se a alimentos não saudáveis. No Brasil, regulamentação vigente obriga colocar advertências nos comerciais de alimentos, embora a Abia, principal associação da indústria de alimentação do país, se recuse a fazê-lo. Ela obteve liminar garantindo a não aplicação das novas regras e a decisão final depende agora da Justiça.

É preciso, pois, que famílias e escolas se dediquem à educação nutricional das crianças. Peças publicitárias devem ser projetadas em salas de aula e debatidas. Cria-se, assim, distanciamento crítico frente ao produto e melhor discernimento por parte dos consumidores. Em São Paulo, alunos projetaram em sala de aula propagandas gravadas em casa. Depois de debaterem as peças publicitárias, decidiram adquirir determinada marca de iogurte. Remetido o conteúdo à análise clínica, constatou-se não conferir com as indicações contidas na embalagem. Assim, os alunos aprenderam o que significa propaganda enganosa.

A Organização Pan-Americana da Saúde recomenda que sejam anunciados, sem restrição, os alimentos naturais, aqueles nos quais não há adição de adoçantes, açúcar, sal ou gordura. São eles: frutas, legumes, grãos integrais, laticínios sem gordura ou com baixo teor, peixes, carnes, ovos, frutas secas, sementes e favas. No caso de bebidas, água potável.

Eis o dilema: enquanto famílias e escolas querem formar cidadãos, a publicidade investe na ampliação do consumismo. A ponto de, no Brasil, se admitir o uso de celebridades, como atletas, na propaganda de alimentos não saudáveis e obviamente nocivos, como bebidas alcoólicas.

É preocupante constatar que, em nosso país, o alcoolismo se inicia por volta dos 12 anos, e aumenta a ingestão de vodca na faixa etária inferior a 16 anos. A fiscalização em bares e restaurantes é precária, e padarias e supermercados vendem, quase sem restrição, bebidas alcoólicas a menores de idade. Mas o que esperar de uma família ou escola que oferece na mesa e na cantina os mesmos produtos nocivos vendidos pelo camelô da esquina? Essa é a crônica de graves enfermidades anunciadas.

*Frei Betto, Alberto Libânio Christo, frade dominicano, escritor e assessor de movimentos sociais.
Artigo publicado no Estado de Minas| Imagens de Mladen Penev

23.5.12

Carta aberta de jornalistas repudia abusos e violações de direitos humanos na tv

Jornalistas baianos divulgaram uma carta aberta repudiando os abusos cometidos por programas policialescos na Bahia.

A carta foi emitida após a repercussão nacional, nas redes sociais, da reportagem Chororô na delegacia: acusado de estupro alega inocência do programa Brasil Urgente, da Band-BA, na qual a repórter Mirella Cunha humilha um jovem preso por tentativa de roubo.

O vídeo gerou enorme repúdio nas redes sociais, porque a jornalista acusa o jovem de ter tentado estuprar uma pessoa e faz piadas com o fato de o detido ter confundido exame de corpo delito com exame de próstata, além de outras piadas com erros de português do acusado.

A carta aberta assinada por cerca de 50 jornalistas, grande parte deles da Bahia, foi divulgada (na terça-feira/22) e dirigida ao governador do Estado da Bahia, Jaques Wagner, à Secretaria Estadual da Segurança Pública, Ministério Público, Defensoria Pública do Estado da Bahia e à sociedade baiana.

De acordo com o texto, “provoca a indignação dos jornalistas abaixo-assinados e motiva questionamentos sobre a conivência do Estado com repórteres antiéticos, que têm livre acesso a delegacias para violentar os direitos individuais dos presos, quando não transmitem (com truculência e sensacionalismo) as ações policiais em bairros populares da região metropolitana de Salvador”.

Além disso, os autores da carta ressaltam que “a responsabilidade dos abusos comumente cometidos no Estado não são apenas dos repórteres, mas também dos produtores do programa, da direção da emissora e de seus anunciantes - e nesta última categoria se encontra o governo do Estado que, desta maneira, se torna patrocinador das arbitrariedades praticadas nestes programas”.

Por fim, o documento pede aos órgãos competentes que acompanhem o caso e garantam que o acusado tenha seus direitos garantidos e seja julgado com imparcialidade.

Ler a íntegra desta Carta aberta de jornalistas sobre abusos de programas policialescos na Bahia

25.10.11

Grupo RBS e a estratégia da desinformação: monopólio e manipulação




O presidente da Associação dos Juízes do RS, João Ricardo dos Santos Costa, criticou a cobertura que o jornal Zero Hora fez de seminário sobre liberdade de imprensa e o Judiciário. A matéria sobre o evento omitiu a parte do debate relacionada aos monopólios. “É um caso paradigmático: em um evento promovido para discutir a liberdade de imprensa, a própria imprensa comete um atentado à liberdade de imprensa ao omitir um dos principais temas do evento”, diz.

No dia 21 outubro, a Associação Nacional dos Jornais (ANJ) e a Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (Ajuris) promoveram, em Porto Alegre, um seminário para discutir liberdade de imprensa e Poder Judiciário. O convite para o encontro partiu da ANJ que já promoveu um debate similar junto ao Supremo Tribunal Federal (Ver artigo de Venício Lima, Direito à comunicação: o “Fórum” e a “Ciranda”). Os interesses temáticos envolvidos no debate não eram exatamente os mesmos. Enquanto que a ANJ e as suas empresas afiliadas estavam mais interessadas em debater a liberdade de imprensa contra ideias de regulação e limite, a Ajuris queria debater também outros temas, como a ameaça que os monopólios de comunicação representam para a liberdade de imprensa e de expressão.

O jornal Zero Hora, do Grupo RBS (e filiado a ANJ) publicou no sábado (24/10/2011) uma matéria de uma página sobre o encontro. Intitulada “A defesa do direito de informar”, a matéria destacou as falas favoráveis à agenda da ANJ – como as da presidente da associação, Judith Brito, e do vice-presidente Institucional e Jurídico da RBS, Paulo Tonet – e omitiu a parte do debate que tratou do tema dos monopólios de comunicação. Na mesma edição, o jornal publicou um editorial furioso contra o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, acusando-o de querer censurar o jornalismo investigativo (Ver matéria: Tarso rechaça editorial da RBS e diz que empresa manipulou conteúdo de conferência). No mesmo editorial, o jornal Zero Hora apresentou-se como porta-voz da “imprensa livre e independente” e afirmou que “a credibilidade é a sua principal credencial”.

Agora, dois dias depois de o governador gaúcho acusar a RBS de ter manipulado o conteúdo de uma conferência que proferiu no Ministério Público do RS, omitindo uma parte que não interessava à construção da tese sobre a “censura ao jornalismo investigativo”, mais uma autoridade, desta vez o presidente da Ajuris, João Ricardo dos Santos Costa, vem a público criticar uma cobertura da RBS, neste caso, sobre o evento promovido em conjunto com a ANJ. A omissão da parte do debate relacionada ao tema do monopólio incomodou o presidente da Associação de Juízes.

“Esse é um caso paradigmático: em um evento promovido para discutir a liberdade de imprensa, a própria imprensa comete um atentado à liberdade de imprensa ao omitir um dos principais temas do evento que era a discussão sobre os monopólios de comunicação”, disse João Ricardo dos Santos Costa em entrevista à Carta Maior.

Na entrevista, o presidente da Ajuris defende, citando Chomsky, que “o maior obstáculo à liberdade de imprensa e de expressão são os monopólios das empresas de comunicação”. A “credibilidade” reivindicada pela RBS no editorial citado não suporta, aparentemente, apresentar a voz de quem pensa diferente dela. “O comportamento do jornal em questão ao veicular a notícia suprimindo um dos temas mais importantes do debate, que é a questão dos monopólios, mostra justamente a necessidade daquilo que estamos defendendo”, destaca o magistrado.

Carta Maior: Qual foi o objetivo do seminário sobre Liberdade de Imprensa e Poder Judiciário e quais foram os principais temas debatidos no encontro realizado dia 21 de outubro em Porto Alegre?

João Ricardo dos Santos Costa: A Ajuris foi procurada pela Associação Nacional de Jornais (ANJ) para promover um evento com o objetivo de debater liberdade de imprensa e o Poder Judiciário. A relação se justifica pelo grande número de questões que chegam ao Judiciário envolvendo a atividade jornalística. Essas questões envolvem, muitas vezes, decisões que limitam a divulgação de certas matérias. Pois bem, fomos procurados para fazer esse debate que gira em torno de dois valores constitucionais: a liberdade de expressão e a independência do Judiciário. Para alguns haveria um aparente conflito entre esses dois princípios. Nós nos dispomos, então, a construir por meio do debate o que significa a convivência desses dois valores em sociedade democrática. Esse foi o grande desafio que esse evento pretendia enfrentar.
Há duas posições veementes neste debate. De um lado há aqueles que não admitem nenhum tipo de cerceamento à informação; de outro, há aqueles que não admitem qualquer tipo de restrição ao trabalho do Judiciário. Do ponto de vista constitucional, cabe ao Judiciário solucionar todos os conflitos, inclusive os que envolvem a imprensa. A imprensa não está fora das regulações judiciais. Há um embate muito forte entre essas duas posições. Se, de um lado, a ANJ buscou explorar o tema da liberdade de imprensa sob a ótica da atividade judicial, nós buscamos fazer um debate sobre a questão constitucional da liberdade de imprensa, no que diz respeito à distribuição de concessões aos veículos de comunicação.

Carta Maior: Por que a Ajuris decidiu abordar o tema da liberdade de imprensa sob essa ótica?

João Ricardo dos Santos Costa: Chomsky tem dito que o maior obstáculo à liberdade de imprensa e de expressão são os monopólios das empresas de comunicação. Não só ele, aliás. Vários pensadores contemporâneos dizem a mesma coisa. Para nós, esse é o cerne da questão. Hoje não há pluralidade, não há apropriação social da informação. O que existe é o interesse econômico que prepondera. Os editoriais são muito mais voltados aos negócios. Hoje mesmo, o editorial de um jornal local [Zero Hora/RBS] expressa preocupação com a vitória de Cristina Kirchner na Argentina dizendo que seria um governo populista que teria explorado o luto [pela morte de Néstor Kirchner] para se reeleger.
Há toda uma preocupação sobre o que representa esse governo para os negócios das empresas de comunicação, em especial no que diz respeito ao conflito entre o governo argentino e o grupo Clarín. A sociedade brasileira só tem conhecimento do lado da empresa de comunicação. A visão do governo argentino sobre esse tema nunca foi exposta aqui no Brasil.
E aí vem uma questão fundamental relacionada à liberdade de imprensa. O problema não é o que os meios de comunicação veiculam, mas sim o que omitem. Esse é o grande problema a ser superado.

Carta Maior: E esse tema foi debatido no seminário?

João Ricardo dos Santos Costa: No nosso evento, eu lembro de uma fala do deputado Miro Teixeira. Ele disse que a história da censura envolve o cerceamento de grandes pensadores da humanidade, como Descartes, Locke, Maquiavel, Montesquieu, entre outros. Citou isso para exemplificar os danos sociais dessa censura. Mas hoje o que nós observamos é que os grandes pensadores contemporâneos são cerceados não pelos censores que existiam antigamente, mas pelos próprios detentores dos meios de comunicação. Os grandes meios de comunicação não veiculam, não debatem hoje os grandes pensadores da humanidade. Nomes como Amartya Sen, Noam Chomsky, Hobsbwan, entre outros, não têm suas ideias discutidas na mídia, não são procurados para se manifestar sobre as grandes questões sociais. Não são chamados pela grande mídia para dar sua opinião e o que acaba prevalecendo é o interesse do capital financeiro, que é aquele que não vai pagar a conta da crise.
Eu dou esse exemplo para demonstrar a gravidade do problema representado por esse monopólio, esse interesse econômico preponderante sobre o direito à informação. Esse interesse diz incessantemente para a sociedade que a única saída para superar a crise atual é por meio do sacrifício dos mais pobres e dos setores médios da população. Não se toca na questão do sacrifício do setor financeiro. Este setor não pode ter prejuízo. Quem vai ter prejuízo é a sociedade como um todo, mesmo que isso atinja direitos fundamentais das pessoas.
Então, esse debate sobre a democratização dos meios de comunicação é extremamente importante e deve começar a ser feito de forma transparente para que a sociedade se aproprie do que realmente está acontecendo e que possa ter autonomia em suas decisões e mesmo influenciar a classe política que hoje está entregue aos grandes financiadores de campanha que são os mesmos que fornecem a informação enlatada que estamos recebendo. Nós, da Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul, estamos propondo esse debate para a sociedade.

Carta Maior: Esse debate que o senhor relatou não apareceu na cobertura midiática do encontro pelo grupo RBS, que participou do mesmo. O jornal Zero Hora dedicou uma página ao encontro, com uma matéria intitulada “A defesa do direito de informar”, sem fazer nenhuma menção a essa parte do debate envolvendo os temas do monopólio e da democratização dos meios de comunicação. Como é que a Ajuris, que propôs esse debate, recebe esse tipo de cobertura?

João Ricardo dos Santos Costa: O comportamento do jornal em questão ao veicular a notícia suprimindo um dos temas mais importantes do debate, que é a questão dos monopólios, mostra justamente a necessidade daquilo que estamos defendendo. É como eu disse antes: o problema maior é aquilo que é omitido, aquilo que não é revelado. Esse é um caso paradigmático: em um evento promovido para discutir a liberdade de imprensa, a própria imprensa comete um atentado à liberdade de imprensa ao omitir um dos principais temas do evento que era a discussão sobre os monopólios de comunicação. Nós não vamos nos omitir em tratar desse assunto por mais dolorido que ele possa ser. É evidente que não é um assunto que deva ser banalizado. Ele é o mais importante de todos. Estamos tratando de pluralidade de pensamento.
[...]
Continuar a ler a entrevista – publicada originalmente em 24/10/2011– na Carta Maior.

23.10.11

A patética Veja e seus mandamentos para se indignar

“A revista Veja quis que eu me indignasse, mas eu ri” - escreve Saulo Machado

[...]

Cansados e Indignados: Varre, varre vassourinha

Agora a revista VEJA, como diversos outros grandes meios de comunicação, partiram para a campanha do moralismo.

A onda é estampar com destaque as palavras “FAXINA” e “CORRUPÇÃO”.

A grande mídia inventou a máquina do tempo e nos transportou de volta aos anos 60. O que vemos parece um deja vu das campanhas moralistas que levaram Jânio Quadros ao governo e que impulsionaram as marchas pré-golpe.

As faixas da “Marcha da Família com Deus pela Liberdade” pedia as mesmas coisas que a marcha incentivada pela mídia (só faltam os comunistas, questão de tempo).

Ricardo Kotscho disse que essas marchas “reúnem jovens idealistas dispostos a combater a corrupção e velhos malacos cansados, sempre em busca de um atalho para chegar ou voltar ao poder, atacando o governo federal, com ou sem razão.”

Seriam apenas “velhos” os malacos cansados?

Se lemos os blogs da própria revista VEJA, vemos comentários de jovens intolerantes e indiferentes à democracia e ao que significa o Estado democrático de Direito. E estes brutamontes alimentam internautas desavisados com seus “ideais” e assim a vida segue.

Afinal, foram velhos intolerantes que atearam fogo no índio Galdino? São estes que espancam gays na avenida paulista?

O fracasso da nova edição do “movimento cansei”, agora chamado “movimento contra corrupção” e que a velha imprensa agora passa a chamar de “Indignados”, pegando (totalmente fora de contexto, diga-se) de um movimento mundial, está na sua raiz.

No mundo inteiro, entre os indignados está o povo representado. No “movimento” brasileiro a maioria é de senhores engravatados, mauricinhos e madames da high society.

Por que a VEJA e os outros meios não mostram os verdadeiros indignados?

Os verdadeiros não estão em escritórios conspirando, mas sob o viaduto do chá neste exato momento. Estão lá protestando, mas a grande imprensa se cala. Prefere, claro, a “massa cheirosa”.

Pensando na massa (a não tão cheirosa, segundo o conceito imortalizado por Cantanhêde), a revista da família Civita trouxe em sua capa o que tem de melhor e pior: bela arte gráfica e ideia extremamente conservadora, respectivamente.

Enquanto alguns possam se indignar, eu caio na gargalhada com chamada tão patética.

Em uma tentativa clara de angariar novos cansados, a revista apela para a sensibilização do povão: A corrupção agora é, enfim, levada ao cotidiano da maioria dos brasileiros. Ela agora não é mais moral, mas economicamente odiável (novidade? Pra mim sempre foi assim!).

Embora não se cubra, por exemplo, as denúncias de corrupção que ocorre na Assembléia Legislativa em SP, embora tenha se precipitado advogando a favor de Daniel Dantas, VEJA se indigna com a corrupção a nível federal. Devem dizer: “Indignação seletiva, sim, mas indignação”.

A capa lista algumas opções para o leitor “escolher” para ficar indignado:

- Poderíamos erradicar a miséria.
- Poderíamos ter saúde (pública não, pelo texto é privada mesmo) de qualidade.
- Contruir mais de 1 milhão de casa (populares? Pelo jeito não).
- Reduzir os juros
etc…

Mas aí VEJA volta a ser VEJA! Não poderia ser diferente…

No meio de todas as possibilidades pro povão ler, eis que a revista lança duas pérolas:

- O dinheiro desviado na corrupção, poderia DAR a cada brasileiro um PRÊMIO de 443 reais!!!!

E, fechando com chave de ouro: Com dinheiro “surrupiado”, daria para comprar 18 MILHÕES de… bolsas de luxo.

Pára tudo. Pára… só podem ter errado, fui à banca de jornal e está lá! Com todas as letras B-O-L-S-A-D-E-L-U-X-O

Agora VEJA pegou pesado, a mais clara tentativa de golpe estampada na capa da maior revista semanal desse país.

Só espero para os próximos dias o caos, a destruição, indignados engravatados e peruas do Leblon empunhando vassouras verde-amarelas, desinfetadas, claro!

Todos nos salões, escritórios e shoppings revoltados, cansados, lamentando porque cada brasileiro poderia ter embolsado R$ 443,00. Quase um bolsa-família (poderiam ter dado este destaque na capa, não?). E a curiosidade: convertendo, quantas viagens à Europa essa grana roubada daria?

Poderia ser mais uma das opções!

A capa da VEJA desta semana, quando bati o olho, me causou indignação. Não a que ela incita, na verdade pelo papel prestado. Depois, lendo vi o quão primário e patético realmente é. Um verdadeiro exemplo do quanto a revista da família Civita desconhece a realidade do país que diz retratar.

Para ler todo o texto - “Os dez mandamentos da Veja: Para se indignar” - escrito por Saulo Machado, acessar Ponto & Contraponto
*As charges daqui não acompanham o texto original.

20.9.11

Sul 21: Gaúchos e gauchismos

Pras bandas do Rio Grande do Sul tá rolando as comemorações da Semana Farroupilha, que tem seu ponto alto no 20 de Setembro. E a respeito disso, para refletir, vale a leitura do Editorial do jornal virtual Sul 21, publicado em 20-9-2011:

Gaúchos e gauchismos

A imagem “típica” do gaúcho é muito difundida pela mídia e utilizada na política no Rio Grande do Sul. Todos os povos necessitam de mitos e de heróis, assim como de referências culturais. É assim em todo o mundo e em todas as partes do Brasil. Isto vale também para o Rio Grande do Sul. Em todos os lugares, no entanto, os mitos e os heróis são construídos a posteriori, pelos que os reverenciam e para servir aos seus propósitos.

Não se discute aqui a existência do gaúcho, seus trajes, linguajar e lides. Discute-se os usos que se fazem de sua imagem. Se é saudável a criação de referências e a identificação dos que se reconhecem compartilhando as mesmas crenças e tradições é, em contrapartida, extremamente preocupante e daninho o processo de exclusão dos que não as compartilham e, por este motivo, são considerados diferentes. Se formos os “melhores”, os outros, todos, serão piores!

A exploração midiática e política deste processo é perigosa. Ao mesmo tempo em que une, ela aparta. Somos “nós” e os “outros”. O grande problema é que “nós” somos os “outros” dos “outros”. Criam-se, assim, inimigos potenciais. A “honra gaúcha” tem que se contrapor à “honra paulista”, à “honra mineira” ou, até mesmo, à “honra brasileira” para se afirmar e para ter significado. Se não for assim, ela não existe. E, o que é pior, para que a honra de um exista é preciso diminuir ou eliminar a do outro ou, até mesmo, no limite, eliminar o “outro”.

Esta é a lógica dos preconceitos e das guerras. Esta também é a lógica simples dos povos isolados. Todos os povos ditos “primitivos” se reconhecem e se afirmam se autodenominando o “povo eleito”, o “povo verdadeiro” ou, ainda, os “homens de verdade”, já que todos os demais são considerados “meio bichos”.

É preciso, sim, reconhecer nossas façanhas, mas sem desmerecer a dos demais. É preciso reconhecer nossas façanhas e, ao mesmo tempo, nossos problemas e limites para poder crescer, avançar.

Que este 20 de Setembro seja de reflexão, não de afirmação pura e simples de um bairrismo tosco. Um bairrismo que melhor serve aos interesses comerciais e políticos de alguns do que aos interesses da maioria.

15.9.11

Internet assusta os poderosos


Numa noite de sábado o Jornal Nacional surpreendeu os telespectadores. Depois de um intervalo comercial, os apresentadores titulares do programa (que geralmente não trabalham aos sábados) passaram a ler o princípios editoriais das Organizações Globo. Muita gente ficou intrigada. Porque aquilo naquela hora? Não havia mais nenhuma notícia importante no mundo a ser dada? E porque só agora, depois de 86 anos de existência, a empresa resolveu divulgar na TV suas normas de trabalho?

Milhões de telespectadores em todo o Brasil ficaram sem respostas. Só quem tem acesso à internet soube do que se tratava. A explicação para o inusitado texto lido no Jornal Nacional estava no blogue “O Escrevinhador”, de Rodrigo Vianna. Nele eram reproduzidas informações de um jornalista da Globo sobre como a emissora pretendia cobrir a indicação do embaixador Celso Amorim para o Ministério da Defesa.

Durante os oito anos do governo Lula em que esteve à frente do Ministério das Relações Exteriores, Amorim sempre foi visto com desagrado pelas Organizações Globo. A empresa não engolia as posições do ministro em defesa da soberania nacional, principalmente quando elas não coincidiam com os interesses dos Estados Unidos.

A volta de Amorim ao primeiro escalão do governo foi uma afronta para a Globo. Segundo o jornalista mencionado no blogue a orientação da empresa era clara: “os pauteiros devem buscar entrevistados para o Jornal Nacional, Jornal da Globo e Bom dia Brasil que comprovem a tese de que a escolha de Celso Amorim vai gerar ‘turbulência’ no meio militar. Os repórteres já recebem a pauta assim, direcionada: o texto final das reportagens deve seguir essa linha. Não há escolha”.

Pena que só internautas atentos ficaram sabendo disso. Jornais e revistas não repercutiram o assunto e muita gente acabou achando que, finalmente, a Globo havia tomado a iniciativa magnânima de expor à sociedade seus princípios editoriais partindo de vontade própria.

Mas mesmo atingindo um público relativamente muito menor do que o da televisão, a internet prestou um bom serviço à sociedade. Inibiu um pouco a ação nefasta armada contra o novo ministro e mostrou que a poderosa organização não consegue mais fingir que denúncias e criticas não a atingem. A Globo sentiu o golpe e tentou responder recorrendo a princípios por ela violados várias vezes ao longo de sua história.

Esperava-se uma mudança de conduta a partir daquele momento. Não foi o que ocorreu. Na mesma edição a apresentadora do Jornal Nacional disse o seguinte: “está foragida a merendeira que pôs veneno de rato na comida de crianças e professores numa escola pública de Porto Alegre”, mostrando uma foto da moça de 23 anos.

Poderia até ser verdade, mas o Jornal Nacional baseava-se apenas numa versão da policia, negada pela acusada. Seu advogado havia divulgado a palavra dela, através da Rádio Guaíba, oito horas antes do JN ir ao ar. Mas para não perder uma notícia espetacular – envenenamento de crianças – nada disso foi levado em conta. Nem os tais princípios editoriais.

Se não fosse outra vez a internet, fatos como esse não estariam sendo contados aqui em detalhes. Foi o blogue do Mello que registrou a violação dos princípios editorais da Globo, na mesma edição em que eles foram divulgados, acompanhados da gravação do desmentido da merendeira feito através do rádio.

Dessa forma vão sendo levantados os véus de interesses que recobrem o noticiário divulgado por grandes meios de comunicação, não só no Brasil mas em várias outras partes do mundo. Parece ser um caminho sem volta.

A medida em que um número maior de pessoas vai tendo acesso à internet, fica cada vez mais difícil para os meios tradicionais de comunicação realizar desvios desse tipo.

*Laurindo Lalo Leal Filho, sociólogo e jornalista, é professor de Jornalismo da ECA-USP. É autor, entre outros, de “A TV sob controle – A resposta da sociedade ao poder da televisão” (Summus Editorial). Twitter: @lalolealfilho.
Artigo publicado originalmente na Revista do Brasil, edição de setembro de 2011, republicado na Carta Maior

26.8.11

Remixofagia - Alegorias de uma revolução


“Todos os direitos reservados a todos” é a frase que define muito bem o curta Remixofagia, dirigido por Rodrigo Savazoni, remixado pela FLi e pela Filmes para Bailar, de forma internética, com sobreposições de imagens, inserções de sons, falas e textos, mesclando elementos tecnológicos, políticos e históricos. E, dessa forma, o vídeo reflete as possibilidades da cultura digital em curso, pela qual se torna possível processos criativos em que uma pessoa cria em cima do que outras criam, uma inspirando-se na outra, podendo, assim, todas serem criadoras ao final.

15.8.11

“A internet não é tão democrática”

Renato Janine Ribeiro, professor de ética e filosofia política na USP, escreveu em sua coluna semanal (seg/15), no Valor , o excelente artigo A internet não é tão democrática:

“Em suma, o que falta para a internet ser o tão almejado espaço de criação democrática de ideias e projetos? Primeiro, o respeito ao outro. Segundo, uma argumentação racional. Não basta reagir com o fígado. Talvez, terceiro, seja preciso tempo: ler com atenção, refletir, só depois postar. A internet favorece a imediatez. Isso não ajuda a amadurecer o pensamento. Mas ela continua sendo uma arma poderosa, notável. Só que é preciso melhorá-la, e muito.”

O texto completo do prof. Renato Janine Ribeiro pode ser lido no blog do Luis Nassif.

20.7.11

MST: Por que a população não sai às ruas contra a corrupção?

O jornal O Globo publicou uma reportagem no domingo [16-7] para questionar por que os brasileiros não saem às ruas para protestar contra a corrupção.

Para fazer a matéria, os repórteres Jaqueline Falcão e Marcus Gomes entrevistaram  os organizadores das manifestações de defesa dos direitos dos homossexuais e da legalização da maconha. E, igualmente, a Coordenação Nacional do MST, que respondeu as perguntas, dentro do prazo. Entretanto, as respostas não foram aproveitadas pelo jornal.

Por que será?

As respostas da integrante da Coordenação Nacional do MST, Marina dos Santos - que não saíram em O Globo - podem ser lidas na página do MST e/ou abaixo

Por que o Brasil não sai às ruas contra a corrupção?
Arrisco uma tentativa de responder essa pergunta ampliando e diversificando o questionamento: por que o Brasil não sai às ruas para as questões políticas que definem os rumos do nosso país? O povo não saiu às ruas para protestar contra as privatizações – privataria – e a corrupção existente no governo FHC. Os casos foram numerosos - tanto é que substituiu-se o Procurador Geral da Republica pela figura do “Engavetador Geral da República”.
Não saiu às ruas quando o governo Lula liberou o plantio de sementes transgênicas, criou facilidades para o comércio de agrotóxicos e deu continuidade a uma política econômica que assegura lucros milionários ao sistema financeiro.
Os que querem que o povo vá as ruas para protestar contra o atual governo federal – ignorando a corrupção que viceja nos ninhos do tucanato - também querem ver o povo nas ruas, praças e campo fazendo política? Estão dispostos a chamar o povo para ir às ruas para exigir Reforma Agrária e Urbana, democratização dos meios de comunicação e a estatização do sistema financeiro?
O povo não é bobo. Não irá às ruas para atender ao chamado de alguns setores das elites porque sabe que a corrupção está entranhada na burguesia brasileira. Basta pedir a apuração e punição dos corruptores do setor privado junto ao estatal para que as vozes que se dizem combater a corrupção diminua, sensivelmente, em quantidade e intensidade.

Por que não vemos indignação contra a corrupção?
Há indignação sim. Mas essa indignação está, praticamente restrita à esfera individual, pessoal, de cada brasileiro. O poderio dos aparatos ideológicos do sistema e as políticas governamentais de cooptação, perseguição e repressão aos movimentos sociais, intensificadas nos governos neoliberais, fragilizaram os setores organizados da sociedade que tinham a capacidade de aglutinar a canalizar para as mobilizações populares as insatisfações que residem na esfera individual.
Esse cenário mudará. E povo voltará a fazer política nas ruas e, inclusive, para combater todas as práticas de corrupção, seja de que governo for. Quando isso ocorrer, alguns que querem ver o povo nas ruas agora assustados usarão seus azedos blogs para exigir que o povo seja tirado das ruas.

As multidões vão às ruas pela marcha da maconha, MST, Parada Gay...e por que não contra a corrupção?
Porque é preciso ter credibilidade junto ao povo para se fazer um chamamento popular. Ter o monopólio da mídia não é suficiente para determinar a vontade e ação do povo. Se fosse assim, os tucanos não perderiam uma eleição, o presidente Hugo Chávez não conseguiria mobilizar a multidão dos pobres em seu país e o governo Lula não terminaria seus dois mandatos com índices superiores a 80% de aprovação popular.
Os conluios de grupos partidários-políticos com a mídia, marcantes na legislação passada de estados importantes - como o de Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul - mostraram-se eficazes para sufocar as denúncias de corrupção naqueles governos. Mas foram ineficazes na tentativa de que o povo não tomasse conhecimento da existência da corrupção. Logo, a credibilidade de ambos, mídia e políticos, ficou abalada.

A sensação é de impunidade?
Sim, há uma sensação de impunidade. Alguns bancos já foram condenados devolver milhões de reais porque cobraram ilegalmente taxas dos seus usuários. Isso não é uma espécie de roubo? Além da devolução do dinheiro, os responsáveis não deveriam responder criminalmente? Já pensou se a moda pegar: o assaltante é preso já na saída do banco, e tudo resolve coma devolução do dinheiro roubado...
O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, em recente entrevista à Revista Piauí, disse abertamente: “em 2014, posso fazer a maldade que for. A maldade mais elástica, mais impensável, mais maquiavélica. Não dar credencial, proibir acesso, mudar horário de jogo. E sabe o que vai acontecer? Nada. Sabe por quê? Por que eu saio em 2015. E aí, acabou. (...) Só vou ficar preocupado, meu amor, quando sair no Jornal Nacional.”
Nada sintetiza melhor o sentimento de impunidade que sentem as elites brasileiras. Não temem e sentem um profundo desrespeito pelas instituições públicas. Teme apenas o poder de outro grupo privado com o qual mantêm estreitos vínculos, necessários para manter o controle sobre o futebol brasileiro.
São fatos como estes, dos bancos e do presidente da CBF – por coincidência, um dos bancos condenados a devolver o dinheiro dos usuários também financia a CBF - que acabam naturalizando a impunidade junto a população.

28.6.11

#MegaNão ao #AI-5Digital

“AI-5 digital” - Projeto de Lei de Eduardo Azeredo (PSDB-MG) volta a tramitar na Câmara dos Deputados

Batizado pelos críticos de “AI5 Digital”, o relatório do projeto está na pauta de votação da Comissão de Ciência e Tecnologia da da Câmara dos Deputados, nesta quarta-feira (29). E, caso seja aprovado, segue para a Comissão de Constituição e Justiça, última etapa antes de ser apreciado pelo plenário. O texto que vai ser votado é relatado pelo deputado Eduardo Azeredo (PSDB), que também foi o responsável por sua análise e aprovação no Senado em 2008. Como foi modificado nessa votação, o projeto foi enviado à Câmara em 2009 (onde começou a tramitar originalmente em 1999, por iniciativa do ex-deputado Luiz Piauhylino) mas não andou. Depois de ficar parado em virtude de consulta pública para o Marco Civil da Internet, em 2009. O projeto foi apelidado de “AI-5 Digital” por críticos das medidas, defensores de liberdade na rede, incluindo o direito de compartilhar arquivos.  Conferir: Rede Brasil Atual

Marco Civil da Internet
Ativistas digitais defendem que antes legislar sobre crimes na internet, o Congresso Nacional deve elaborar um marco regulatório dos direitos civis, que já foi objeto de consulta pública e está no Ministério da Justiça.

O Ativista do software livre no Brasil, Marcelo Branco, ex-coordenador do Campus Party Brasil, um dos principais eventos de tecnologia do país, critica a votação do projeto dos crimes cibernéticos, antes mesmo da aprovação pelo Congresso do marco civil regulatório da internet. “Acredito que devemos discutir penalizações, mas só depois de termos bem claros os direitos e responsabilidades de provedores e usuários”, disse ao iG.

Desde 2009, o Ministério da Justiça elabora o anteprojeto do marco civil da internet. As consultas públicas e audiências sobre o assunto já foram encerradas e, desde o início do ano, o Congresso Nacional aguarda o envio do texto para análise dos parlamentares. “Votar a tipificação dos crimes cibernéticos antes de votar o marco civil da internet é passar a carreta na frente dos bois. Por questão de bom senso, de lógica, o mais certo é primeiro votar a legislação civil sobre a internet e depois a penal”, disse Marcelo Branco ao Estado de Minas

Ativismo
Internautas críticos do PL de Eduardo Azeredo retomaram as campanhas nas redes sociais.

Continua-se a colher assinaturas para petição online pelo veto ao projeto de cibercrimes e em defesa da liberdade e do progresso do conhecimento na Internet brasileira. Assine!

Tweetaço: participe, via twitter usando as expressões #MegaNão ao #AI-5Digital

Acesse o O Diario #meganao ao #AI5digital

Por entender, concordar, que precisamos primeiro de um marco civil acerca dos direitos e responsabilidades na internet brasileira – para depois, sim, discutirmos democraticamente questões criminais –; e, inclusive, por defender o direito ao livre conhecimento na internet, eu já assinei essa petição e estou tweetando #MegaNao ao #AI5digital!

“A Internet sob ataque”, por João Carlos Caribé


20.6.11

Partidos, juventude e os movimentos sociais da Internet


@s jovens nativos digitais da sociedade em rede têm orgulho de ser brasileir@s, acreditam que o Brasil é o país do presente e concordam que têm um papel de transformar a sociedade. Se conectam mais com discursos coletivos do que individualistas e querem menos consumismo. Apenas 5% tem como objetivo ficar rico e sabem que podem trabalhar por uma causa coletiva e buscar seus sonhos pessoais ao mesmo tempo. Estes mesmos jovens, cada vez mais, vêem a Internet como ferramenta de mobilização e engajamento político e menos os partidos. [1]

Quantos jovens não votaram no Chile, na Espanha? Não achem que estes jovens não acreditam na democracia. Eles não crêem na democracia que oferecem a eles (…) E. Galeano, na Praça Catalunya [2]

Quando eu divulguei esta pesquisa na rede, surgiram muitos questionamentos e diálogos vindos, principalmente, de militantes partidários: isso é positivo ou negativo? Acho isso tremendamente positivo e tentarei sucintamente colocar a minha opinião, já tuitada de forma pulverizada.

Acontece que os jovens estão exigindo muito mais participação e democracia do que os partidos políticos e a democracia representativa os oferecem. Eles querem mais participação. Estão errados?

Os partidos e os sindicatos são organizações construídas com base na revolução tecnológica industrial. Foram, por longos anos, a única e a melhor forma de catalizar de forma coletiva os pensamentos e ideologias para uma ação política efetiva. Sozinho, ninguém chega a lugar algum, e isso continua valendo. Estas organizações mediam e intermediam a relação entre os diversos interesses individuais e coletivos, através do “programa”, e representam estes interesses junto à sociedade.

Os movimentos sociais em rede, pós- internet, são formados por indivíduos conectados em rede, que manifestam suas opiniões e movem suas ações na perspectiva do engajamento coletivo, sem a intermediação de qualquer organização. Aliás, a Internet veio para questionar o papel de todas as organizações intermediárias. A indústria fonográfica que o diga.

Acredito que as formas de organizações da era industrial e as organizações de indivíduos conectados em rede, típicas da sociedade em rede, conviverão. Uma não substitui a outra.

Mas é #fato que nos últimos anos, em todo mundo, os partidos políticos e os sindicatos têm tido menos capacidade de mobilização coletiva do que os movimentos sociais em rede. E isso não é somente porque os programas dessas organizações estão defasados ou que não contemplam os interesses dos coletivos. Atualizar os programas dos partidos é importante, mas não será o suficiente para engajar a geração atual na forma de organização hierárquica dos partidos. Estes jovens estão, cada vez mais, experimentando novas formas para organizar suas ações políticas coletivas, utilizando a plataforma da Internet como base. E isso tem dado resultado.

Há quase 12 anos, na manifestação chamada de N30, mais conhecida como a “batalha de Seattle” [3], através da Direct Action Network (ação direta em rede) possivelmente tenhamos inaugurado a era das mobilizaçoẽs 2.0.

Desde Seattle, passando pelas mobilizações do Fórum Social Mundial aqui em Porto Alegre, nas marchas contra as guerras do Bush-pai, nas manifestações anti-globalização neoliberal, com destaque para Gênova e Barcelona, até as recentes revoltas árabes e agora a #globalrevolution partindo da Espanha para toda Europa [4], comprovam a força das redes da internet para organização de grandes ações coletivas.

Não acredito que os partidos ou sindicatos estão descartados como forma de organização política. Acontece que agora existem NOVAS formas de organização política. As novas formas de organização social (indivíduos conectados em rede) e as velhas (partidos e sindicatos) vão conviver, mas como organizações distintas.

As velhas organizações não podem ter a pretensão de englobar ou cooptar as novas. Terão que conviver, lado a lado, mas cada uma com a sua dinâmica própria. As dinâmicas das redes são distintas das dinâmicas partidárias. Não há como enquadrar as dinâmicas em rede nas hierarquias partidárias. Nem é possível que um partido funcione com as dinâmicas horizontais e sem hierarquias como nas redes.

O sucesso das organizações da era industrial (partidos e sindicatos) foi justamente o de organizar as pautas e as lutas de forma hierárquica e aprovadas por maioria.

Nas dinâmicas em redes, raramente há votações para hierarquizar as ações. Funciona por adesão voluntária. A proposta com maior adesão avança na prática e mobiliza. Assim tem sido as experiências da última década.

No entanto, as dinâmicas dos movimentos em rede ainda tem sido incapazes de estabelecer uma nova ordem. Pelo menos por enquanto. Os partidos sim, estabelecem uma nova ordem, assumem o poder e governam. Creio que no futuro teremos experiências de uma nova ordem a partir de dinâmicas sociais em rede.

Vivemos uma transição da era industrial para a era das sociedades em redes. As velhas formas e as novas conviverão, mas são distintas formas de organizações. Aliadas? Antagônicas? Complementares?

O certo é que existe, neste momento, uma tendência e um potencial global democratizante, que questiona os limites da democracia representativa e que aponta para uma nova democracia participativa, tendo a internet como plataforma de mobilização e viabilização desta nova relação direta dos cidadãos com a democracia.

Acredito que a recente pesquisa, “o sonho brasileiro”, realizada entre jovens de 18 a 24 anos e que ouviu mais de três mil pessoas de 173 cidades do país, aponta dados extremamente positivos na perspectiva de transformação social. |Artigo de autoria de Marcelo Branco, publicado originalmente em seu Blog - Software Livre Brasil|
---------------------------------------------
Fontes:
[1]- Pesquisa “O sonho brasileiro” Box1824 (agência especializada em mapear tendências de comportamento), e Instituto Datafolha. - Quase 90% dos jovens têm orgulho de ser brasileiros, revela pesquisa Geração “sonhadora” quer “oportunidade para todos” e menos consumismo By Marina Novaes, do R7. - Jovens sonham e acreditam no Brasil By Ricardo Kotscho, do R7. - Pesquisa mostra que enquanto 59% dos jovens não têm preferência partidária, 71% consideram a internet uma ferramenta política By Naira Alves IG. 
[2]- Eduardo Galeano no acampamento de Barcelona. 
[3]- Seattle: uma década de ativismo 2.0 By #comunidadedigital das turmas e ex-alunos de comunicação digital da ESPM-RJ Turma 7A - 2009.2. 
[4]- Da #democraciarealya à #WorldRevolution By Marcelo Branco.
______________________________________________________________

19.3.11

Tio San em Terrae Brasilis

Com a visita do presidente dos EUA Barack Obama ao Brasil, segue a mídia oligárquica tupiniquim na missão de forjar e conservar no imaginário coletivo as crenças irrefletidas...

E assim, de modo provinciano, essa mídia dá uma cobertura deslumbrada, insensata, para a visita do representante do Tio San em Terrae Brasilis, mostrando-a como se fosse a glorificação da relação entre EUA-BR.

Mas, sem se deixar contagiar pelo oba-oba da mídia nativa, cabe refletir: Do ponto de vista dos EUA, o que motiva essa visita do Obama ao Brasil? Seria, sobretudo, para cuidar dos interesses estadunidenses, a saber, pré-sal, petróleo!?!

28.2.11

TV Globo, RBS Zero Hora Editora - jornal A Notícia - e Estado de SC condenados a indenizar por danos morais

Indenização de R$ 270 mil para inocente exibido na TV como maníaco sexual

O juiz Roberto Lepper, da 1ª Vara da Fazenda da Comarca de Joinville/SC, condenou o Estado de Santa Catarina, a TV Globo e a RBS Zero Hora Editora Jornalistica S.A ao pagamento de indenização por danos morais a A. P.

Um retrato falado baseado em suas feições foi apresentado nesses meios de comunicação, com base em informações fornecidas pela polícia civil, como o do principal suspeito de ser o criminoso apelidado “maníaco da bicicleta”, que aterrorizou mulheres e estuprou mais de 10 em Joinville.

O Estado foi condenado a pagar R$ 60 mil, a TV Globo, R$ 180 mil, e a RBS, R$ 30 mil. Segundo os autos, no dia 30 de outubro de 2000, A. foi intimado a comparecer na delegacia de polícia para ser confrontado às vítimas do “maníaco da bicicleta”.

Porém, nesse dia da acareação, nenhuma das vítimas o reconheceu como o criminoso. Ele foi liberado em seguida. Alguns dias depois, em 5 de novembro, o retrato falado do suposto criminoso acabou divulgado pelo programa Fantástico, da Rede Globo, e nas páginas do jornal A Notícia. O retrato fora repassado à imprensa pela polícia civil.

Em sua decisão, o magistrado afirmou que o retrato falado repassado à imprensa foi mesmo forjado pela polícia civil, que também encaminhou a imagem a outras forças de segurança do Estado. O juiz sustentou, ainda, que os meios de comunicação divulgaram algo inverídico, sem antes realizar um juízo crítico sobre o que foi repassado pela polícia.

“A revogação da Lei de Imprensa, por óbvio, não representou a concessão de carta-branca aos meios de comunicação para, dali por diante, agirem como bem lhes aprouver. Direitos fundamentais como os da dignidade humana e do respeito à honra e à imagem não podem ser entrincheirados pelo igualmente legítimo e constitucional direito à liberdade de imprensa”, afirmou o magistrado.

Ele também não teve dúvidas sobre os danos morais sofridos pelo autor da ação: “A chaga provocada na psique do autor tenderá a sangrar por muito tempo, até porque ninguém consegue esquecer facilmente algo tão avassalador como o que enfrentou A. Nem sei se alguém realmente consegue digerir, ao longo da vida, trauma dessa envergadura.”

Da sentença, publicada nos autos do proc. nº 03800061710-2, no dia 24-fev-2010 – dez anos e dois meses depois do ajuizamento da ação – ainda cabe recurso. A condenação da RBS Zero Hora Editora se dá na condição de sucessora de A Notícia S/A Empresa Jornalística. |Informações: TJSC e Espaço Vital|

14.2.11

Presidente do Grupo RBS denunciado por crime contra o Sistema Financeiro Nacional

O barão da mídia Nélson Pacheco Sirostsky, presidente do Grupo RBS - Rede Brasil Sul de Comunicação - foi denunciado, pelo Ministério Público Federal, por crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, conforme o despacho judicial abaixo, datado de 16 de novembro de 2010: “Ação Penal na qual os réus [Nelson Pacheco Sirotsky e Carlos Eduardo Schneider Melzer] foram denunciados como incursos no artigo 21, § único, da Lei 7492/86”.
O processo está sendo julgado na Justiça Federal da 4ª Região, 1ª Vara Criminal de Porto Alegre.
(Ler mais: aqui, aqui, aqui) 

O processo criminal iniciou com ação civil pública contra oligopólio do grupo
Em 2008, o Ministério Público Federal de Santa Catarina (MPF/SC), propôs ação civil pública |processo nº. 2008.72.00.014043-5|  contra o oligopólio do grupo RBS. Nesta ação (ainda em tramite), o MPF/SC requereu, entre outras providências, a diminuição do número de emissoras do grupo em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, de acordo com a lei; e a anulação da compra do jornal “A Notícia”, de Joinville/SC, consumada em 2006.

4.2.11

Qual o peso das tecnologias nos protestos egípcios?

Diante das manifestações populares contra o regime autoritário e corrupto de Hosni Mubarak no Egito, entre tantas análises importantes, surgiu um debate acerca do peso das tecnologias – leia-se internet/redes sociais e celulares – nos protestos da população egípcia.

Entre os que não atribui força nenhuma, está Paulo Henrique Amorim – PHA, que criticou a opinião de quem aposta que o uso da internet e do celulares são capazes de produzir uma revolução popular. Para ele, essas tecnologias não fazem revolução nenhuma; pois Mubarak não vai cair por causa dos celulares, ele vai cair porque a galera foi para a rua. Daí que relacionar as manifestações populares e a derrubada do ditador com internet/redes sociais e celulares é uma fetichização da tecnologia: não passa de papo furado de conservador para desqualificar movimentos populares, bem como de um merchandising da indústria da telecomunicação, destaca PHA.

Essa critica é reforçada, sobretudo, se for considerado o fato de que o acesso à internet ainda é relativamente baixo no Egito (estima-se que cerca de 20% da população está conectada, com um número ainda menor para redes sociais). Quanto aos celulares, há uma limitação no uso dos serviços de telefonia móvel desde que começou a revolta popular (inclusive, no início dos protestos, uma das primeiras medidas do ditador Mubarak foi interromper parte dos serviços de celulares). Somada a contra-informação favorável ao governo egípcio, que é suspeita de fazer a própria operadora de telefonia móvel Vodafone.

É o que lembra Felipe Corazza, ponderando que, apesar das limitações claras, o ceticismo total em relação à força da tecnologia e das redes sociais nos protestos também é descabido. Afinal, estas têm funções bem mais relevantes do que apenas mobilizar e chamar às ruas. A transmissão de informações em formatos diversos é parte deste processo: telefones celulares com câmera, gravadores e câmeras digitais ultra-compactas permitem registro permanente de imagens e sua transmissão pela internet (com repercussão imediata nas redes sociais). Se não impede totalmente a violência, tal cobertura “independente” constrange o governo Mubarak a evitar um massacre.

Com essa visão, observando bem ambos os lados, destaca Corazza que definir a revolta popular no Egito como um “revolução da internet” é tão improdutivo quanto ignorar a força da rede na mobilização dos jovens e na transmissão de informações. Assim como fica evidente o reforço dado pela conexão à rede e às mídias sociais, é prudente combater a ingenuidade e o sentimento de que uma “hashtag” no Twitter pode, de per si, mudar o mundo.

Para ler ambos os textos acessar:
Conversa Afiada » Calma, Miriam! Internet e celular não fazem revolução, por Paulo Henrique Amorim.
CartaCapital » A revolução é online e offline, por Felipe Corazza.

14.1.11

Tempo como serviço, não como espetáculo

Laurindo Lalo Leal Filho
[...]
No caso de tragédias, como as deste início de ano, ao invés de moças desfilando à frente de ilustrações artísticas, deveríamos ter as programações interrompidas.

Em seu lugar seriam formadas cadeias nacionais ou locais de rádio e TV, antes das catástrofes, dando orientações seguras para a população. Sem pânico, mas com precisão e firmeza. E não generalizando com frases do tipo “chove no litoral do nordeste”.

Trata-se de um de trabalho que deve ser o mais localizado possível, com o envolvimento articulado dos serviços de meteorologia, da defesa civil e do jornalismo, na produção das informações.

Quantas vidas não poderiam ter sido salvas se, em vez colocar no ar o Ratinho ou o Big Brother, as emissoras tivessem avisado à população de que fortes chuvas estavam previstas para a serra fluminense na noite anterior à tragédia, com instruções dos poderes públicos sobre como agir.

Ou, no caso, de São Paulo que vias deveriam ser evitadas na iminência dos temporais, já que não há segredo nessa cidade sobre onde se localizam os eternos pontos de alagamento.

Para obter mais eficiência, esse serviço deveria ter seu foco nas informações locais. Dai a importância da regionalização das programações de rádio e TV, tão combatida pelos concessionários do setor.

No entanto são elas que darão às emissoras regionais e locais experiência, tanto na produção como na técnica, para enfrentar com competência situações extraordinárias.

Nem todos se salvariam, é verdade. Mas, com certeza, os danos seriam menores.

Furacões violentos que varrem o Caribe todos os anos causam grandes estragos materiais em Cuba, mas pouquíssimas vítimas.

Simplesmente porque as autoridades estabelecem planos precisos para a retirada da população das áreas criticas e a orientam através do rádio e da TV, com razoável antecedência, sobre as medidas que devem ser tomadas.
[...]

12.1.11

Rede Globo emburrece

Algo assim aberrante – tipo uma “involução emburrecedora”– poderia ser a explicação para o fato da maioria das pessoas sentarem-se passivamente em frente à Rede Globo de Televisão, a fim de ver/acompanhar o Big Brother Brasil.

22.12.10

WikiRebels


O que temos aqui é uma nova geração de rebeldes, Guerrilheiros Digitais, sem uma base nacional. Locais de estudantes, cafés e salas de informática, estes são os seus centros de comando e controle espalhados por todo o mundo e a batalha já começou.
...
Uma coisa é certa: aconteça o que acontecer, WikiLeaks plantou uma semente. Um pensamento impossível de se apagar. Trata-se de novas formas e novos canais de divulgação de informações secretas que vai ter um efeito profundo sobre a transparência não só na Internet, mas em uma dimensão mais ampla a nível mundial. |WikiRebels|

Eis alguns trechos deste vídeo-documentário, apresentado pela TV estatal sueca - SVT, no qual relata a criação e revela o modo de agir do WikiLeaks, esclarecendo em especial como opera sua rede de colaboradores. Um vídeo permeado por excelentes entrevistas em que o fundador do site, Julian Assange, expõe o que o animou ao projeto. (SVT. Suécia, 2010, 58 min)

Ver o vídeo legendado em português disponível – inteiro e/ou em 4 partes |1-2-3-4|
-------------------------------------------------------
Ler: WikiLeaks é importante existir! Defenda!