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9.12.13
24.9.13
A Ilha
A animação A Ilha (2008, Brasil), dirigida por Alê Camargo e produzida pela OZI Escola de Audiovisual de Brasília, mostra como o ambiente urbano das grandes cidades, longe de aproximar as pessoas, acaba isolando-as. O curta-metragem bem humorado faz uma paródia do filme “Náufrago”, de Robert Zemeckis. Em A Ilha, o personagem na tentativa de atravessar a avenida no caótico trânsito de uma metrópole acaba aprisionado no canteiro central.
21.8.13
Escolarizando o Mundo: O Último Fardo do Homem Branco
Gerações à frente,
olharemos para trás e diremos: Como pudemos fazer este tipo de coisa com as
pessoas? Manish Jain
Se você quisesse transformar uma antiga cultura numa
geração, como você faria isso? Você mudaria o jeito de educar as crianças.
O governo estadunidense sabia disso quando, no século 19,
forçou as crianças americanas nativas a entrarem nas escolas governamentais.
Hoje, voluntários constroem escolas em sociedades tradicionais pelo mundo
afora, convencidos que a escola é o único caminho para uma vida “melhor” para
crianças indígenas.
Mas isso é verdade? O que realmente acontece quando nós
trocamos um conhecimento de uma cultura tradicional pelo nosso? A vida
realmente fica melhor para essas pessoas?
O documentário Escolarizandoo Mundo: O Último Fardo do Homem Branco aceita um desafio, às
vezes engraçado, mas ao final profundo, de olhar, problematizando, o papel da
moderna educação na destruição das últimas culturas sustentáveis do mundo.
Lindamente gravado no local da cultura budista de Ladakh, no extremo norte dos Himalaias indianos, o documentário entrelaça as vozes das pessoas de Ladakh com conversas entre quatro pensadores originais cuidadosamente escolhidos; o antropólogo e etnobotânico Wave Davis, um explorador da revista National Geografic; Helena Norberg-Hodge e Vandana Shiva, ambas ganhadoras do Prêmio Right Livehood pelos seus trabalhos com povos tradicionais na Índia; e Manish Jain, arquiteto de programas de educação da UNESCO, USAID, e do Banco Mundial.
O filme examina o pressuposto escondido da superioridade
cultural por trás dos projetos de ajuda educacionais, que, no discurso,
procuram ajudar crianças a “escapar” para uma vida “melhor”.
Aponta a falha da educação institucional em cumprir a
promessa de retirar as pessoas da pobreza – tanto nos Estados Unidos quanto no
chamado mundo “em desenvolvimento”.
E questiona nossas definições de riqueza e pobreza – e de
conhecimento e ignorância – quando desmascara o papel das escolas na destruição
do conhecimento tradicional sustentável agroecológico, no rompimento das
famílias e comunidades, e na desvalorização das tradições espirituais
ancestrais.
Escolarizando o Mundo faz um
chamado por um “diálogo profundo” entre as culturas, sugerindo que nós temos,
ao menos, tanto a aprender quanto a ensinar, e que essas sociedades
sustentáveis ancestrais podem ser portadoras do conhecimento que é vital para
nossa própria sobrevivência.
Uma provocação/reflexão oportuna sobre a imposição da
educação-cultura ocidental em detrimento dos conhecimentos milenares e das
tradições sustentáveis dos povos originários; com o fim último de manter um
modelo único e perverso de sociedade....
É, tristemente, seguimos assim... Little Boxes... on thehillside...
É, tristemente, seguimos assim... Little Boxes... on thehillside...
8.6.13
Quantas copas por uma Copa?
Quatro dias antes, na madrugada do dia 29 de maio, a Prefeitura de Porto
Alegre, juntamente com a Brigada Militar, prendeu 27 manifestantes que estavam
acampados em um parque da cidade, defendendo o espaço contra a polêmica obra de
duplicação de uma avenida. Às 4h da manhã, os funcionários do município
iniciaram o corte das árvores. Seis horas depois, 57 árvores já haviam sido
cortadas.
A necessidade da obra está sendo questionada pela população,
pois a prefeitura não apresentou qualquer tipo de estudo de demanda, e nem
possíveis alternativas, além da obra não beneficiar o transporte público. Não
houve verdadeiro diálogo com a população. Foram realizadas algumas audiências
públicas depois do início dos protestos onde não foi dada nenhuma resposta às
demandas e críticas apresentadas pelos cidadãos.
A licença ambiental para o corte de 115 árvores foi emitida
pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente, sendo que o então Secretário do
Meio Ambiente, Luiz Fernando Záchia foi preso pela Polícia Federal, acusado de
vender licenças ambientais. Além disso, o prefeito de Porto Alegre, José
Fortunati, recebeu cerca de R$ 220 mil da empreiteira que está realizando a
obra para sua campanha eleitoral em 2012.
Em 2011, o governador Tarso Genro e o prefeito José
Fortunati assinaram um protocolo de intenções para realização de uma etapa da
Fórmula Indy na Capital e, coincidentemente ou não, o trajeto proposto para a
corrida passa pela área onde foi realizado o corte.
Enquanto isso, a mídia local reduz o protesto à mera questão
do corte de árvores, ignorando as preocupações da população com a supressão de
espaços públicos de convivência e com a priorização do transporte motorizado
individual e a conseqüente degradação da cidade.
5.6.13
Sementes da Liberdade
Sementes de Liberdade conta a história de sementes desde
suas raízes no coração de sistemas agricolas tradicionais, ricos em diversidade
em todo o mundo, até a sua transformação em um matéria prima poderosa, usada
para monopolizar o sistema alimentar global.
O documentário destaca a forma como o sistema de agricultura
industrial e sementes geneticamente modificadas, em particular, têm tido um
impacto enorme na agrobiodiversidade evoluída por agricultores e comunidades em
todo o mundo, desde o início da agricultura.
Sementes de Liberdade visa a contestar o mantra de que a
agricultura em escala industrial é o único meio pelo qual podemos alimentar o
mundo, promovido pelo grupo pró-GM. Ao seguir a história da semente, torna-se
claro como a agenda das empresas levou à aquisição das sementes a fim de obter
grandes lucros e controle sobre o sistema alimentar global.
Através de entrevistas com os principais especialistas
internacionais, como Vandana Shiva e Hobbelink Henk, e através das vozes de
vários agricultores na África, o filme ressalta como a perda de sementes
indígenas anda de mãos dadas com a perda da biodiversidade e dos conhecimentos
associados; a perda das tradições e práticas culturais; a perda de meios
de subsistência; e a perda da soberania alimentar. A pressão está crescendo
para substituir a cultura diversificada de sementes nutricionais, localmente
adaptadas, e culturas resistentes, que têm sido cultivadas por pequenos
agricultores há milhares de anos, por monoculturas de sementes
geneticamente modificadas.
Junto com palestrantes de comunidades camponesas indígenas,
o filme apresenta especialistas do mundo e os ativistas Vandana Shiva de
Navdanya, Henk Hobbelink do Grão, Zac Goldsmith MP (Partido Conservador do
Reino Unido), agricultor canadense Percy Schmeiser, Kumi Naidoo do Greenpeace
Internacional, Mburu Gathuru da Rede Africana de Biodiversidade, Liz
Hosken da Fundação Gaia e Caroline Lucas MP (Partido Verde do Reino
Unido).
Este documentário é co-produzido pela Fundação Gaia e Rede
Africana de Biodiversidade, em colaboração com GRAIN, Navdanya
Internacional e MELCA Etiópia.
14.4.13
Donald no País da Matemágica
Donald no País da Matemágica é uma viagem em um mundo
de fantasia onde as árvores têm raízes quadradas. Disney usa a animação para explicar
o pentagrama que contém a regra de ouro e, baseado nele, explica a relação de
proporção do retângulo de ouro, que representava para os gregos a lei da beleza
matemática.
5.3.13
“A revolução não será televisionada”
O documentário A revolução não será televisionada, filmado
e dirigido pelos irlandeses Kim Bartley e Donnacha O’Briain, apresenta os
acontecimentos do golpe contra o governo do presidente Hugo Chávez, em abril de
2002, na Venezuela. Os dois cineastas estavam na Venezuela realizando, desde
setembro de 2001, um documentário sobre o presidente Hugo Chávez e o governo
bolivariano quando, surpreendidos pelos momentos de preparação e
desencadeamento do golpe, puderam registrar, inclusive no interior do Palácio
Miraflores, seus instantes decisivos, respondido e esmagado pela espetacular
reação do povo.
Documentário significativo para ser lembrado a todo o momento,
mas sobretudo hoje, dia no qual morreu Hugo Chávez – mas não seu legado. ¡Que
viva por siempre!”.
22.2.13
“Muito Além do Peso”
Por que 33% das crianças brasileiras pesam mais do que
deviam? As respostas envolvem o governo, os pais, as escolas, a mídia e as
agências de publicidade.
Este é enfoque proposto pelo documentário Muito Além do Peso: promover a
reflexão e o debate sobre a maior epidemia infantil da história - a obesidade.
8.1.13
Vinicius de Moraes | Documentário
2013, centenário de nascimento do poeta Vinicius de Moraes.
29.12.12
“Memórias do Chumbo – Futebol nos Tempos do Condor”
A ESPN Brasil exibiu, entre os dias 18 e 21 de dezembro de 2012, o
especial produzido por Lúcio de Castro: Memórias do Chumbo – Futebol nos
Tempos do Condor, série de quatro capítulos sobre o futebol na época da
ditadura militar... Uma das grandes revelações é a de como o aparelhamento e
controle do futebol foi sistematizado e pensado ao longo das ditaduras
militares do continente. A explicação didática de como se deu esse controle
pode ser vista no capítulo que encerra, o quarto e último da série, sobre o
Brasil, de Memórias do Chumbo – O Futebol nos Tempos do Condor.
Confira mais detalhes desta série:
28.12.12
“Beneficiários - Histórias de vida do Bolsa Família” | o documentário
Beneficiários
Atualmente, mais de 13 milhões de pessoas recebem o Bolsa Família. Quatro famílias abrem as portas de casa para mostrar qual é o impacto do programa de transferência de renda do Governo Federal em suas vidas. É o que se vê no documentário Beneficiários - Histórias de vida do Bolsa Família, fruto do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), realizado por ex-alunos da Universidade Metodista de São Paulo (UMESP), em 2012.
O TCC sobre o Bolsa Família: uma aula de jornalismo
Na sexta participei de uma banca de TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) da Faculdade Metodista de Jornalismo.
Trabalho excepcional da moçada sobre o Bolsa Família, tanto no vídeo de 25 minutos quanto no trabalho escrito, abordando vários aspectos do programa e da discussão política sobre ele.
A equipe responsável foi composta dos alunos Bruno Martins, Carlos Simalha, Cintia Alves, Deborah Scarone, Estele Kim, Gessica Cruz e Rafael Rodrigues, sob orientação do professor Valdir Aparecido Boffetti e Verônica Aravena Cortes.
O mais relevante, no entanto, é o documentário focado em senhoras beneficiárias do Bolsa Família, mostrando seu dia-a-dia, os problemas que enfrentam para atender às condicionantes do programa. Mais que isso, mostrando de maneira crua o que é a vida de um miserável.
Entrevista a senhora, mãe de sete filhos, que acolhe a vizinha, mãe de quatro, em um quartinho, em uma comovente demonstração de solidariedade. Mostra geladeiras vazias, a vergonha da pobreza, a esperança com o futuro, os problemas para cumprir as condicionalidades do programa, o filho que não mais frequenta a escola por vergonha de suas roupas, a economia para comprar uma camiseta para a filha pequena.
A revolução na gestão das empresas brasileiras teve início quando o foco de toda a ação passou a ser o consumidor. As empresas se debruçaram para conhecer sua clientela, para analisar de que maneira seus serviços eram recebidos e percebidos e, a partir daí, focar seus planos de melhoria.
O mesmo deve ocorrer em qualquer política pública: a análise do que acontece na ponta. E é isso o que o vídeo mostra de maneira exemplar.
A exposição do mundo real é temperada com entrevistas com especialistas, de André Singer a Floriano Pesaro - o vereador tucano que teve a melhor professora do país sobre políticas sociais, dona Ruth, e parece não ter aprendido muito com ela.
Confira alguns dos mitos desmontados pelo vídeo.
A cobrança de contrapartidas
Floriano aparece dizendo que a crítica dele é quanto à falta de acompanhamento das condicionantes do programa. Na sequencia, a entrevista de duas senhoras contando que perderam parte do BF pelo fato dos filhos terem abandonado a escola.
Quais os motivos? Em um caso, vergonha do filho de ser pobre, de ir mal vestido e ser alvo da zombaria dos colegas. Em outro, falta de roupa de frio, impedindo sua saída de casa em dias de muito frio. Há o caso de uma mãe que paga 70 reais por mês para a condução que leva a filha à escola.
A preocupação de Pesaro, que se diz especialista, é apenas com a cobrança, para evitar a malandragem. A do documentário - de jovens de pouco mais de 20 anos, que nunca estudaram políticas sociais - é identificar as dificuldades para cumprir as condicionalidades.
Em outro contraponto, Floriano diz que o objetivo do programa não pode ser o de meramente transferir dinheiro indefinidamente para as famílias, mas de fortalecer a livre iniciativa, a economia, o mercado. Em seguida, a mãe de família miserável, de sete filhos, dizendo que o objetivo de governo deve ser "olhar para nós". No céu, Dona Ruth enrubesceu.
Faltou no projeto uma análise melhor sobre a miséria absoluta, a fome absoluta, a partir dos próprios estudos de Josué de Castro. A partir dessas análises se poderá avaliar melhor o enorme significado de tirar alguém dessa situação.
O foco do BF e a falácia do mundo ideal
O trabalho levanta entrevistas de Betto dizendo que o Fome Zero tiraria todo mundo da miséria e colocaria no mercado produtivo em dois anos. Para tanto, articularia programas de horta comunitária, reforma agrária (seria interessante saber como seria a reforma agrária na periferia das grandes cidades, foco maior da miséria), alfabetização, recursos hídricos, cooperativismo, capacitação profissional.... O Fome Zero não conseguiu organizar sequer a distribuição de alimentos e roupas que chegaram até ele no grande mutirão social que a eleição de Lula deflagrou.
O modelo engendrado por Patrus Ananias é eficiente justamente devido à sua simplicidade e abrangência. O objetivo do Bolsa Família é cadastrar todos os miseráveis e garantir um recurso mínimo para tirá-los da fome absoluta, condicionado a dois pontos: filho grande na escola, recém-nascido no posto de saúde. Nunca se pretendeu salvar a atual geração de miseráveis, porque impossível. Nem colocá-los no mercado de trabalho da noite para o dia, porque inexequível. O objetivo é simplesmente o de lhes fornecer uma migalha de cidadania, para tirá-los dessa doença social, da miséria absoluta. E, em cima dessa base, posteriormente, articular outras políticas sociais.
A porta de saída
Para conhecer mais sobre o projeto, acesse a página oficial no Facebook: https://www.facebook.com/beneficiarios
Atualmente, mais de 13 milhões de pessoas recebem o Bolsa Família. Quatro famílias abrem as portas de casa para mostrar qual é o impacto do programa de transferência de renda do Governo Federal em suas vidas. É o que se vê no documentário Beneficiários - Histórias de vida do Bolsa Família, fruto do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), realizado por ex-alunos da Universidade Metodista de São Paulo (UMESP), em 2012.
O TCC sobre o Bolsa Família: uma aula de jornalismo
Por Luis Nassif. 2-12-12
Na sexta participei de uma banca de TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) da Faculdade Metodista de Jornalismo.
Trabalho excepcional da moçada sobre o Bolsa Família, tanto no vídeo de 25 minutos quanto no trabalho escrito, abordando vários aspectos do programa e da discussão política sobre ele.
A equipe responsável foi composta dos alunos Bruno Martins, Carlos Simalha, Cintia Alves, Deborah Scarone, Estele Kim, Gessica Cruz e Rafael Rodrigues, sob orientação do professor Valdir Aparecido Boffetti e Verônica Aravena Cortes.
O mais relevante, no entanto, é o documentário focado em senhoras beneficiárias do Bolsa Família, mostrando seu dia-a-dia, os problemas que enfrentam para atender às condicionantes do programa. Mais que isso, mostrando de maneira crua o que é a vida de um miserável.
Entrevista a senhora, mãe de sete filhos, que acolhe a vizinha, mãe de quatro, em um quartinho, em uma comovente demonstração de solidariedade. Mostra geladeiras vazias, a vergonha da pobreza, a esperança com o futuro, os problemas para cumprir as condicionalidades do programa, o filho que não mais frequenta a escola por vergonha de suas roupas, a economia para comprar uma camiseta para a filha pequena.
A revolução na gestão das empresas brasileiras teve início quando o foco de toda a ação passou a ser o consumidor. As empresas se debruçaram para conhecer sua clientela, para analisar de que maneira seus serviços eram recebidos e percebidos e, a partir daí, focar seus planos de melhoria.
O mesmo deve ocorrer em qualquer política pública: a análise do que acontece na ponta. E é isso o que o vídeo mostra de maneira exemplar.
A exposição do mundo real é temperada com entrevistas com especialistas, de André Singer a Floriano Pesaro - o vereador tucano que teve a melhor professora do país sobre políticas sociais, dona Ruth, e parece não ter aprendido muito com ela.
Confira alguns dos mitos desmontados pelo vídeo.
A cobrança de contrapartidas
Floriano aparece dizendo que a crítica dele é quanto à falta de acompanhamento das condicionantes do programa. Na sequencia, a entrevista de duas senhoras contando que perderam parte do BF pelo fato dos filhos terem abandonado a escola.
Quais os motivos? Em um caso, vergonha do filho de ser pobre, de ir mal vestido e ser alvo da zombaria dos colegas. Em outro, falta de roupa de frio, impedindo sua saída de casa em dias de muito frio. Há o caso de uma mãe que paga 70 reais por mês para a condução que leva a filha à escola.
A preocupação de Pesaro, que se diz especialista, é apenas com a cobrança, para evitar a malandragem. A do documentário - de jovens de pouco mais de 20 anos, que nunca estudaram políticas sociais - é identificar as dificuldades para cumprir as condicionalidades.
Em outro contraponto, Floriano diz que o objetivo do programa não pode ser o de meramente transferir dinheiro indefinidamente para as famílias, mas de fortalecer a livre iniciativa, a economia, o mercado. Em seguida, a mãe de família miserável, de sete filhos, dizendo que o objetivo de governo deve ser "olhar para nós". No céu, Dona Ruth enrubesceu.
Faltou no projeto uma análise melhor sobre a miséria absoluta, a fome absoluta, a partir dos próprios estudos de Josué de Castro. A partir dessas análises se poderá avaliar melhor o enorme significado de tirar alguém dessa situação.
O foco do BF e a falácia do mundo ideal
Assim como Pesaro, o trabalho (escrito) apresentou as
críticas inconsistentes ao programa, por parte de frei Betto e do ex-Ministro
Cristovam Buarque, grandes praticantes da chamada falácia do mundo ideal.
Como funciona? Apresenta-se um objetivo extraordinário, ambiciosíssimo, com chance zero de sair do papel, para se contrapor a um trabalho que, mesmo com resultados excepcionais, jamais conseguirá chegar perto desse mundo de fantasias. O objetivo é mostrar ao mundo como o autor da fantasia é muito mais solidário com a pobreza, e muito mais ambicioso nos seus objetivos do que esses reles mortais sem virtude e sem ambição.
Como funciona? Apresenta-se um objetivo extraordinário, ambiciosíssimo, com chance zero de sair do papel, para se contrapor a um trabalho que, mesmo com resultados excepcionais, jamais conseguirá chegar perto desse mundo de fantasias. O objetivo é mostrar ao mundo como o autor da fantasia é muito mais solidário com a pobreza, e muito mais ambicioso nos seus objetivos do que esses reles mortais sem virtude e sem ambição.
O trabalho levanta entrevistas de Betto dizendo que o Fome Zero tiraria todo mundo da miséria e colocaria no mercado produtivo em dois anos. Para tanto, articularia programas de horta comunitária, reforma agrária (seria interessante saber como seria a reforma agrária na periferia das grandes cidades, foco maior da miséria), alfabetização, recursos hídricos, cooperativismo, capacitação profissional.... O Fome Zero não conseguiu organizar sequer a distribuição de alimentos e roupas que chegaram até ele no grande mutirão social que a eleição de Lula deflagrou.
O modelo engendrado por Patrus Ananias é eficiente justamente devido à sua simplicidade e abrangência. O objetivo do Bolsa Família é cadastrar todos os miseráveis e garantir um recurso mínimo para tirá-los da fome absoluta, condicionado a dois pontos: filho grande na escola, recém-nascido no posto de saúde. Nunca se pretendeu salvar a atual geração de miseráveis, porque impossível. Nem colocá-los no mercado de trabalho da noite para o dia, porque inexequível. O objetivo é simplesmente o de lhes fornecer uma migalha de cidadania, para tirá-los dessa doença social, da miséria absoluta. E, em cima dessa base, posteriormente, articular outras políticas sociais.
A porta de saída
Outro mito que se desmonta - a partir dos depoimentos
colhidos - é a tal da porta de saída. Conta-se uma caso de senhora bem
sucedida, que foi acolhida pelo Bolsa Família, depois tornou-se empreendedora
de uma cooperativa de costureiras em Osasco.
Mas só conseguiu isso porque na ponta, em Osasco, houve um trabalho social relevante, ajudando a organizar as senhoras para a tal porta de saída. Ou seja, a porta de saída depende fundamentalmente das ações das prefeituras na ponta.
A partir daí, há espaço para uma crítica consistente ao Bolsa Família. De que maneira estão amarrando, com as prefeituras, programas de inclusão social, de inclusão no mercado de trabalho? De que maneira outros programas sociais do governo, de transferência de recursos para prefeituras, podem ser articulados com o BF, à medida em que o principal já se tem: o cadastro e acompanhamento das famílias assistidas?
Aqui, o finalzinho do vídeo, com o depoimento da empreendedora de Osasco e da senhora que mora de favor. |Aqui, a íntegra|.
Mas só conseguiu isso porque na ponta, em Osasco, houve um trabalho social relevante, ajudando a organizar as senhoras para a tal porta de saída. Ou seja, a porta de saída depende fundamentalmente das ações das prefeituras na ponta.
A partir daí, há espaço para uma crítica consistente ao Bolsa Família. De que maneira estão amarrando, com as prefeituras, programas de inclusão social, de inclusão no mercado de trabalho? De que maneira outros programas sociais do governo, de transferência de recursos para prefeituras, podem ser articulados com o BF, à medida em que o principal já se tem: o cadastro e acompanhamento das famílias assistidas?
Aqui, o finalzinho do vídeo, com o depoimento da empreendedora de Osasco e da senhora que mora de favor. |Aqui, a íntegra|.
Para conhecer mais sobre o projeto, acesse a página oficial no Facebook: https://www.facebook.com/beneficiarios
27.12.12
“Luto em Luta” | o documentário
Dividido em três partes: Barbárie, Luto e Luta, o documentário Luto em Luta foi idealizado
pelo diretor Pedro Serrano, um dos fundadores do movimento “Viva Vitão”, que surgiu logo após o acidente que matou o jovem Vitor Gurman, atropelado na
capital paulista.
Pedro Serrano ouviu especialistas em trânsito, médicos,
psicanalistas, jornalistas, juristas, políticos e cidadãos comuns buscando abordar
todas as facetas da tragédia diária do trânsito, que chega a matar todos os
anos mais do que guerras e desastres naturais.
13.12.12
O Riso dos Outros
Existem limites para o humor? O que é o humor politicamente incorreto? Uma piada tem o poder de ofender?
São essas questões que o O Riso dos Outros discute a partir de entrevistas com
personalidades como o humorista Danilo Gentili, o cartunista
Laerte e o deputado federal Jean Wyllys, entre outros.
O documentário mergulha no mundo do Stand Up Comedy para discutir esse limite
tênue entre a comédia e a ofensa, entre o legal e aquilo que gera intermináveis
discussões judiciais.
O filme foi dirigido por Pedro Arantes, diretor de séries de humor como “As
Olívias”, do canal Multishow, e “Vida de Estagiário”, da TV Brasil.
5.7.12
TV Alma Sebosa
Ficha Técnica: Direção, fotografia e edição: Daniel Castelo Branco. Som direto: Lucas Chaves Ramalho. Produção: Clarissa Azevedo e Juliana Lins Lira. Entrevistados: Diego Pessoa Costa Reis, Ivan Moraes Filho, Joslei Cardinot, Maria Eduarda Rocha, Jota Ferreira, Luciana Zaffalon, Malena Segura Contera, Stella Maris, Thiago Raposo. Recife, Pernambuco, Brasil 2009.
17.6.12
“Belo Monte - anúncio de uma guerra” – O Filme
Belo Monte - anúncio de uma guerra

Documentário com depoimentos e fatos reveladores sobre a maior e mais polêmica obra da atualidade no Brasil, que vem gerando diversas reações na sociedade nacional e internacional.
Lançamento mundial, dia 17, às 19h » www.belomonteofilme.org
Esta é a página do documentário Belo Monte, Anúncio de uma Guerra, que tem 120 horas filmadas ao longo de 3 expedições ao XIngu, contendo depoimentos e fatos reveladores sobre a obra.
Mais do que um filme, este documentário é um ato político da sociedade, uma luta pelo acesso à informação e pelo direito de participar das decisões do país.
Para isso e por isso, a edição e finalização desse filme foram financiadas coletivamente por mais de 3429 apoiadores que estão ajudando a espalhar informações sobre Belo Monte na internet.
Belo Monte é uma usina hidrelétrica que o governo pretende
instalar no coração da Amazônia, na Volta Grande do rio Xingu na cidade de
Altamira, Pará. O documentário Belo Monte, anúncio de uma guerra é sobre esta
que é considerada a maior obra de engenharia do país da atualidade, em que
depoimentos a favor e contra Belo Monte apontam para um desastre do ponto de
vista ambiental, econômico e social.
12.6.12
Vida Maria
Vida Maria conta o drama de Maria José, que tem seus sonhos interrompidos ainda na infância, aos 5
anos, quando foi obrigada a abrir mão de “desenhar palavras”, de
estudar, para se dedicar às tarefas diárias da família. Enquanto trabalha, ela
cresce, casa, tem filhos, entre eles, Maria de Lourdes. E nesta filha está a
representação de um ciclo que se repete: Maria José age com Maria de Lourdes
exatamente como sua mãe agiu, reproduzindo o seu passado no futuro da filha.
20.5.12
Migrantes
Migrantes é um documentário que retrata as condições de
trabalho e vida dos trabalhadores do Nordeste nos canaviais das modernas usinas
paulistas e os motivos que os levam a migrarem de suas terras para
submeterem-se a um trabalho árduo, penoso, arriscado no corte da cana. Nos
canaviais eles ficam sujeitos a uma nova disciplina e submetidos a um ritmo de
trabalho que os colocam no limite de suas capacidades físicas: são obrigados a
cortarem, no mínimo, 10 toneladas de cana/dia para permanecerem empregados. A
produtividade aumentou, as dificuldades no trabalho também, os ganhos continuam
insuficientes. Mesmo assim estes trabalhadores, super-homens da produção,
migram por necessidade. A realidade destes trabalhadores do agronegócio da cana
é desafiadora para a sociedade e autoridades brasileiras. Como reverter esta
situação? Este é o maior desafio que o vídeo documentário coloca em cena.
(Direção: Beto Novaes, Francisco Alves e Cleisson Vidal. Áudio: Português. Brasil, 2007)
Filme fruto de parceria entre quatro universidades federais mostra a hipocrisia do discurso da “modernidade” no campo brasileiro e expõe realidade dos migrantes nordestinos. Gustavo Barreto. Consciência.Net*
Do Piauí, do Maranhão e de outros Estados, migrantes brasileiros deixam suas famílias e “desabalam para São Paulo”. Vai todo mundo “pro corte de cana”. Seu Luiz, do município de Codó, no Maranhão, é um deles. “Não sei se eu vou, não sei se eu não vou, meu Deus. Aí fica naquela, sabe? Mas que vai resolvendo eu ir”, conta.
“Por mim ele não ia não”, conta a bem-humorada sogra de Luiz, Tereza. “Eu acho dificultoso ele pra lá e nós pra cá. A mulher dele fica aí sofrendo”. Quando foi pela primeira vez, ela completa, chegou “magrinho, magro demais”. Luiz argumenta: “Na idade que eu tô, pra ir não é porque eu queira. É por necessidade. Porque se eu não ir, aqui não tem como me ajudar meus filhos. De maneira alguma”.
A dura realidade de Luiz e de outros milhares de cortadores de cana-de-açúcar é tema do documentário “Migrantes” (2007), fruto de uma parceria entre a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal do Piauí (UFPI) e Universidade Federal do Maranhão (UFMA). O documentário pode ser acessado desde novembro de 2010 na página de vídeos YouTube.
Esta é uma realidade pouco conhecida. Os jornais, TVs e revistas costumam destacar a “modernidade do campo” e o desenvolvimento agrário brasileiro – automatizado, justo e sem grandes problemas, cuja principal ameaça seriam os grupos de trabalhadores politicamente organizados. Um belo roteiro de ficção.
(Direção: Beto Novaes, Francisco Alves e Cleisson Vidal. Áudio: Português. Brasil, 2007)
Filme fruto de parceria entre quatro universidades federais mostra a hipocrisia do discurso da “modernidade” no campo brasileiro e expõe realidade dos migrantes nordestinos. Gustavo Barreto. Consciência.Net*
Do Piauí, do Maranhão e de outros Estados, migrantes brasileiros deixam suas famílias e “desabalam para São Paulo”. Vai todo mundo “pro corte de cana”. Seu Luiz, do município de Codó, no Maranhão, é um deles. “Não sei se eu vou, não sei se eu não vou, meu Deus. Aí fica naquela, sabe? Mas que vai resolvendo eu ir”, conta.
“Por mim ele não ia não”, conta a bem-humorada sogra de Luiz, Tereza. “Eu acho dificultoso ele pra lá e nós pra cá. A mulher dele fica aí sofrendo”. Quando foi pela primeira vez, ela completa, chegou “magrinho, magro demais”. Luiz argumenta: “Na idade que eu tô, pra ir não é porque eu queira. É por necessidade. Porque se eu não ir, aqui não tem como me ajudar meus filhos. De maneira alguma”.
A dura realidade de Luiz e de outros milhares de cortadores de cana-de-açúcar é tema do documentário “Migrantes” (2007), fruto de uma parceria entre a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal do Piauí (UFPI) e Universidade Federal do Maranhão (UFMA). O documentário pode ser acessado desde novembro de 2010 na página de vídeos YouTube.
Esta é uma realidade pouco conhecida. Os jornais, TVs e revistas costumam destacar a “modernidade do campo” e o desenvolvimento agrário brasileiro – automatizado, justo e sem grandes problemas, cuja principal ameaça seriam os grupos de trabalhadores politicamente organizados. Um belo roteiro de ficção.
A realidade é o foco deste documentário. Entre outros
assuntos, trata dos “grandes fazendeiros”, que cercam a terra, expulsam a
população local e não deixam ninguém mais produzir – mas também não produzem. A
consequência é conhecida dos pesquisadores e trabalhadores rurais: migração e
aumento da miséria nas grandes cidades.
Outra realidade pouco destacada na grande imprensa não pode
ser contabilizada: as famílias são despedaçadas. A busca pela sobrevivência dá
lugar, nas cidades de origem, à saudade e à tristeza de viver em uma família
sem pais ou irmãos. Ficam apenas as mulheres, crianças e aposentados. São
filhas, mães, esposas, cada qual sofrendo à sua maneira.
Em 2008, pesquisadores da Universidade Metodista de
Piracicaba (UNIMEP) observaram que o desgaste físico diário do cortador de
cana é igual ao de um maratonista. Um estudo sobre o corte manual da
cana-de-açúcar no interior paulista sobre a ergonomia no trabalho do cortador
afirmou que em apenas 10 minutos esse trabalhador corta 400 Kg de cana, realiza
131 golpes de facão e flexiona o tronco 138 vezes.
A extenuante jornada não conta com repouso. O objetivo é
quase sempre garantir a sobrevivência das famílias dos cortadores. No entanto,
nestas “modernas” usinas os trabalhadores são obrigados a cortar no mínimo 10
toneladas de cana/dia para permanecerem empregados. Além disso, são submetidos
a condições de trabalho análogas ao trabalho escravo, tal como o endividamento
contínuo na fazenda.
Segundo outro estudo, “Por que morrem os cortadores de cana”
(2006), a morte dos trabalhadores assalariados rurais cortadores de cana está
relacionada ao pagamento por produção.
Para Francisco Alves, que também é um dos diretores do
documentário e professor do Departamento de Engenharia da UFAScar, os processos
de produção e de trabalho vigentes no Complexo Agroindustrial Canavieiro foram
concebidos objetivando a produtividade crescente do trabalho e, combinados ao
pagamento por produção, “provocam a necessidade de os trabalhadores aumentarem
o esforço despendido no trabalho”. “O crescimento do dispêndio de energia e do
esforço para cortar mais cana provoca ou a morte dos trabalhadores ou a perda
precoce de capacidade de trabalho”, escreveu Francisco Alves.
Para Beto Novaes, outro diretor e roteirista, o filme serve
para preencher uma lacuna quanto ao conhecimento da realidade vivida por esses
trabalhadores. “Há muita desinformação das pessoas quanto ao tema. Muitas
vezes, a realidade está ao lado, mas ‘banalizada’ e ‘naturalizada’ na
interpretação cotidiana. Nossa intenção é transformar isso em indignação,
estimular o debate, socializar as informações”.
...
*Gustavo Barreto, jornalista, radialista e produtor
cultural, coordena a Revista Consciência.Net.
11.4.12
Uma história Severina
Como uma plantadora de brócolis analfabeta enfrentou o STF e conseguiu o direito (tardio) de abortar um anencéfalo
Por Debóra Diniz
A história de Severina foi cantada por uma repentista e desenhada por um xilogravurista. Mocinha de Passira e J. Borges deram vozes e cores nativas ao filme que leva o nome da protagonista, Uma História Severina. O documentário conta a peregrinação de Severina, uma agricultora pobre e analfabeta de Chã Grande, cidade do brejo pernambucano. Por uma triste coincidência, ela estava internada em um hospital público de Recife na mesma tarde em que o Supremo Tribunal Federal cancelou a liminar de anencefalia em 2004. Grávida de 14 semanas de um feto sem cérebro, teve que voltar para o sítio em que vivia para iniciar uma longa jornada por tribunais e hospitais. Foram três meses de idas e vindas para o novo alvará autorizando o aborto, resumidos nas palavras de seu marido Rosivaldo pela memória do arquivo: "Foi preciso uma pasta bem grande para guardar todos os papéis que recebemos".
Em janeiro de 2005, Severina deu à luz um feto natimorto. Em resguardo pelas dores do parto, ela só conheceu a cova de seu filho anônimo pelas imagens do documentário. "Eu nem sei onde é a covinha dele", disse ao assistir ao enterro pela primeira vez, em um misto de superação e melancolia. A gravidez de Severina foi desejada. Mãe de Walmir, hoje com 12 anos, queria crescer a família. Walmir sonhava com um irmão e Rosivaldo com uma filha. Católica, antes de decidir pela antecipação do parto buscou conforto no padre de sua paróquia. O padre ouviu sua dor e não foi capaz de demovê-la da escolha. Ela e Rosilvado exibiam a ecografia do "feto sem cérebro" para quem quisesse se convencer do caráter irreversível do diagnóstico. A imagem era o argumento mais forte que possuíam para uma dor invisível à lei penal.
Severina descobriu que o Brasil possui uma Suprema Corte há oito anos. Antes mesmo de ser apresentada aos ministros do STF pelo documentário, foi no hospital que ouviu falar deles pela primeira vez. Uma das xilogravuras de J. Borges registrou esse instante: o enquadramento é o Jornal Nacional, as imagens são os ministros do STF, a audiência é a solitária Severina. A abstração dos argumentos dos juízes não falavam da dor de Severina, tampouco da realidade de seu corpo que gestava um feto que não sobreviveria ao parto. Menos ainda do mundo concreto de uma mulher que voltaria à plantação de brócolis no dia seguinte. O médico que cuidava de suas aflições assumiu o lugar de tradutor das leis. Sem a liminar, o médico explicou a Severina que restavam duas opções: esperar os nove meses de gestação ou tentar um alvará na comarca de Chã Grande. Severina ignorou o verso cantado por Mocinha de Passira sobre sua história, "os homens de toga e de batina não autorizaram parar o movimento", e iniciou a jornada pelos papéis e burocracias. Rosivaldo mantém a pasta arquivo intocável como memória dos meses de espera.
Em 2004, Severina estava em uma sala de espera de um hospital público para ser atendida. Para ela, o médico era a autoridade máxima. Foi ali que descobriu que, sem o juiz, o médico não poderia socorrê-la. Mas como convencer o juiz de Chã Grande se o ministro da Suprema Corte dizia que a dor dignificaria uma mulher? Severina não sabe o que fez o juiz local ouvi-la, mas, com o alvará em mãos, retornou ao hospital para ser atendida. No caminho, comprou a única peça do enxoval, a roupa que acompanhou o caixão branco. Sentiu as dores do parto para em seguida secar o leite do filho natimorto. Nesses quase oito anos, sua dor se esvaiu no sol quente da plantação de brócolis. Não há rancor nem heroísmo em sua voz. Severina e Rosilvado não tiveram mais filhos. Lembram do passado como uma história.
Severina decidiu fazer uma grande viagem. Sairá pela primeira vez das fronteiras de Pernambuco, Estado que resume a geografia de sua existência. Fará sua primeira viagem de avião, acompanhada de Rosivaldo e Walmir. Neste dia 11, Severina estará na primeira fileira de um dos julgamentos mais longos da história do STF. Ela quer ouvir, ver e sentir a abstração do poder. Quer se exibir como uma história encarnada de uma dor - ela é a mulher que viveu a sentença da Suprema Corte há oito anos. Hoje, representa outras severinas ainda por vir. Severina não é uma tese jurídica: é uma mulher concreta, cuja dignidade não é medida pela maternidade compulsória, mas pelo reconhecimento do caráter sublime do direito de escolha. Severina não falará aos ministros, mas sua presença descreverá uma existência que a abstração da lei acredita poder ignorar.
*Debóra Diniz, da UNB é uma das diretoras do documentário Uma História Severina
9.4.12
Quem são elas?
O tema de “Quem são elas?” é o aborto de fetos sem cérebro e o drama das mulheres que não é levado em consideração. O que motivou este filme foi uma pergunta de um ministro do Supremo Tribunal Federal. Estavam julgando o caso da permissão de aborto legal para situações de gestação de fetos sem cérebro (morrem antes do parto ou logo após este). E um deles perguntou, quem são essas mulheres? Durante alguns meses, em 2004, as mulheres puderam realizar abortos com base em uma decisão liminar da Justiça. Essa decisão foi suspensa e a dor das mulheres continua nas mãos do Judiciário. É umas das faces do debate sobre o aborto no Brasil.
Este filme de Débora Diniz, produzido por Anis - Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero e pela produtora Imagens Livres, contou com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq, da International Women's Health Coalition e da Ford Foundation.
31.3.12
Projeto 68
Rio de Janeiro, 1968. O movimento estudantil comanda as maiores manifestações contra a ditadura, num crescente desde a morte do estudante Edson Luís até o clímax na Passeata dos Cem Mil. O documentário Projeto 68 remonta em imagens e sons essa trajetória – com a direção de Júlia Mariano. |Porta Curtas|
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