Donald no País da Matemágica é uma viagem em um mundo
de fantasia onde as árvores têm raízes quadradas. Disney usa a animação para explicar
o pentagrama que contém a regra de ouro e, baseado nele, explica a relação de
proporção do retângulo de ouro, que representava para os gregos a lei da beleza
matemática.
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14.4.13
8.4.13
21.10.12
Cidade das crianças
Aqui está um dos desenhos geniais de FRATO, o alter ego cartunista do educador italiano Francesco Tonucci. Uma das ideias de Tonucci é a de que a rua precisa se converter num local de vivência dos cidadãos. E criança, para o educador italiano é um cidadão com direitos de ter uma cidade onde possa passear, brincar, ser respeitado.
Estamos caminhando em direção contrária à indicada por Tonucci. Estamos encantados com a escola fortaleza, onde nossos filhos estarão em segurança o dia todo. Ao mesmo tempo em que elevamos física e simbolicamente os muros escolares, deixamos que as ruas se convertam, cada vez mais, em terra de ninguém, espaços pensados exclusivamente para facilitar circulação de carros. Nada de sair dos veículos-armaduras (quem pode os tem blindados). Andar na rua é arriscado. E como esta não é considerada espaço de convivência e encontros humanos, a ela atribuímos características do mal.
Nos jornais, nas conversas informais, nos congressos de educação, todo mundo aplaude medidas para tirar as crianças da rua. Ninguém se preocupa em fazer das ruas local de jogar conversa fora, brincar, encontrar amigos, inventar novos mundos, bater perna sem medo de ser atropelado, conviver.
Tonucci apresenta para nós um desafio político sério. Elevar muros das escolas é um paliativo. Instituições escolares não são destino final da maioria das pessoas. Boa parte da vida é vivida fora da escola. E as crianças não aprenderão a viver no mundo, confinadas em espaços fechados, protegidas por seguranças de terno preto e por docentes que lhes dispensam um afeto remunerado pelo estado ou pelos donos de escola.
18.10.12
Cidades para pessoas
Por Maria de Nazareth Agra Hassen*
É característica do discurso vazio a apropriação de
conceitos que causem impacto positivo, mesmo que o restante do discurso e
principalmente a prática não guardem relação com as atrativas locuções. A noção
de cidade para as pessoas tem se disseminado como posição política e visão de
mundo em várias cidades, ainda que nossos políticos, que recentemente passaram
a utilizá-la, incorram em contradição ao aliar a ideia de cidade para pessoas
com noções incompatíveis com o conceito. Como exemplo, temos as propostas de
mobilidade urbana, que em nada se aproximam do conceito original, utilizado e
praticado por Jan Gehl em cidades como Copenhagen, Melbourne, Estocolmo, Nova
York.
O conceito de pessoa aqui se opõe a máquina, a capital, a
lucro, a desenvolvimento e a progresso. Não há pessoa no centro de uma lógica
do capital e do progresso. Há pessoa na lógica da educação, do encontro, da
solidariedade e do compartilhamento. Nenhum candidato fala em decrescimento
econômico, por exemplo. E são conceitos associados pessoa e decrescimento. Não
se faz política para as pessoas juntamente com desenvolvimento econômico,
porque vão a direções opostas.
Uma cidade para pessoas promoveria estreitamento de
avenidas, não alargamento. Uma cidade para pessoas privilegiaria aqueles que se
deslocam a propulsão humana, como o pedestre e o portador de necessidades
especiais, depois o ciclista e só depois os veículos motorizados, privilegiando
o transporte público, confortável e pontual. As ciclovias e ciclofaixas não são
segregadas das ruas e avenidas, mas subtraem uma pista antes destinada a
veículos motorizados. Uma cidade para pessoas teria tempo de semáforo para o
pedestre atendendo a sua necessidade e não à do fluxo do trânsito. Aqueles que
vêm usando o conceito deveriam ler o livro Cities for People (Island Press,
2010), do famoso arquiteto Jan Gehl. Na publicação ainda não traduzida ou
publicada em língua portuguesa, Gehl sustenta, entre outras teses, que uma
cidade para pessoas não tem edifícios altos, pois o contato com a vida da cidade
só se pode obter até o quinto andar, e que a questão da densidade se resolve
com projetos arquitetônicos orientados por uma ideia humanista. O conceito não
se resume a retirar os carros das ruas e diminuir a altura das edificações.
Uma cidade para pessoas teria políticas de transformar
terrenos baldios em praças públicas, iluminadas e com equipamento para crianças
e adultos. Uma cidade para pessoas alargaria as calçadas e levaria segurança às
ruas para que as pessoas não precisassem se gradear, roubando espaços de
calçadas, e pudessem colocar suas cadeiras na rua e conviver com os vizinhos,
substituindo o lazer baseado em consumo pelo lazer baseado em trocas sociais.
Uma cidade para pessoas, ao proibir edifícios altos, investiria na convivência,
base da realização humana mais plena. Uma cidade para pessoas investiria na
prevenção à saúde e não apenas no tratamento. Uma cidade para pessoas
incentivaria os artistas de rua, investiria na sua formação e nas suas
condições de trabalho. Uma cidade para pessoas acolheria suas crianças e
adolescentes e criaria condições para que toda criança fosse aceita com suas
características e história de vida, e, portanto, os abrigos municipais não se
localizariam apenas nas periferias. Uma cidade para pessoas coibiria as descargas
abertas dos carros poluidores, multá-los-ia e os apreenderia. Uma cidade para
pessoas incentivaria o plantio de árvores e flores, não os coibiria. Uma cidade
para pessoas não asfaltaria ruas em vilas populares sem lhes garantir espaço
para as calçadas e para as praças, onde as crianças pudessem brincar e jogar.
Uma cidade para pessoas teria aulas de trânsito na escola em que as crianças
aprenderiam a se deslocar de bicicleta ou a pé, conhecendo seu bairro e os
demais. Uma cidade para pessoas institui as zonas 30 (regiões, em geral bairros
em que a velocidade máxima é 30 km/h) e veda o trânsito de automotores em ruas
em todos os bairros nos finais de semana.
Uma cidade para pessoas enfrenta desafios, cria inimigos nas
esferas do poder econômico, inverte a lógica da necrópole, instaura a
humanidade e recompõe a vida em espaço público aberto. Uma cidade para pessoas
elimina outdoors e outras formas de enfeamento e estímulo ao consumo. Uma
cidade para pessoas incentiva a diminuição da produção de lixo, orienta sobre a
separação e sobre a criação de compostagem em escolas, casas e apartamentos,
institui hortas comunitárias em todos os bairros.
As pessoas não precisam ser cuidadas, elas têm que se sentir
incluídas no cuidar. Uma cidade para pessoas facilita a vida do cidadão e
retira o poder do burocrata. Uma cidade para pessoas distribui o poder e
garante que as pessoas tenham nas ruas a extensão das suas casas e não um
parêntese entre espaços vitais.
Uma vez conhecido o compromisso com a cidade para pessoas,
algum candidato ainda se habilita?
*Doutora em Educação/UFRGS
3.6.12
Ensino na sociedade de classes
Quando o Estado põe o pobre e o rico “em igualdade de condições” na disputa do que quer que seja, ele está na verdade punindo o pobre
O Estado (os teóricos do reacionarismo não são burros) quando destrói a opção da escola pública, abastardando sua qualidade, está conscientemente desaparelhando o pobre na disputa do mercado de trabalho e impedindo sua ascensão social e a conquista da cidadania, pois mercado e cidadania são reservados aos ‘mais iguais’, os filhos da classe média alta. Quando o Estado põe esse pobre e esse rico “em igualdade de condições” na disputa do que quer que seja, mas principalmente na disputa de uma vaga na universidade pública, está punindo o pobre. E quando digo o pobre, refiro-me, principalmente, aos negros, porque no Brasil a pobreza tem cor. À nossa dívida pela discriminação econômica, soma-se, como elemento ético, a dívida impagável de brancos e escravocratas.
Quando destrói a escola pública, o Estado reacionário decide dificultar o acesso do pobre à escola universitária pública, gratuita e de boa qualidade, e ao fazê-lo procura reservá-la àqueles que puderam frequentar cursos preparatórios de qualidade. A decisão da sociedade de classes é essa: aos pobres a formação secundária de baixa qualidade que não os capacita nem para o vestibular da universidade pública nem para o mercado de trabalho, cada vez mais exigente; aos ricos a escola universitária de qualidade, a carreira universitária, a pesquisa, as grandes clínicas e os grandes escritórios, enfim, a reprodução do poder e da dominação. É ou não é um sistema de cotas às avessas?
As universidades públicas, sejam estaduais, sejam federais – por exemplo, a USP, a Unicamp, a UFRJ e outras que tais – são, a rigor, as únicas que oferecem, na área técnica, laboratório, pesquisa e, quase sempre, bolsas de iniciação científica, custeadas, é evidente, ora pelo CNPq, ora pela Finep, ora pela Fundação de Amparo à Pesquisa do respectivo estado. Aliás, as universidades públicas são responsáveis por algo como 80% dos cursos (respeitáveis) da área técnica, como as engenharias em geral, medicina, física etc. Por todas essas razões, seus vestibulares são os mais procurados, e, por serem os mais procurados, os mais difíceis. Ou seja, são acessíveis apenas aos vestibulandos mais bem formados, filhos da classe média, de média para alta. Com esses jovens evidentemente não podem concorrer os pobres egressos da escola pública secundária, de baixíssima qualidade, restando-lhes as inumeráveis espeluncas espalhadas pelas esquinas como os botequins, que estão, no país inteiro, há décadas, imprimindo diplomas de ensino superior sem serventia no mercado competitivo.
Mas quais são os cursos que lhes são reservados, aos pobres, na escola privada? Os técnicos? Não. Esses são caros e o ensino privado é um ramo da atividade comercial, que persegue o lucro (já há dessas empresas com ações em bolsa!). Aos pobres são destinados os cursos que não requerem laboratórios nem professores de tempo integral, que podem ser dados em salas com mais de 50/60 alunos, cuja didática depende exclusivamente de exposições do professor mal-remunerado correndo de uma escola para outra, de uma aula para outra, para assegurar o salário mensal. Depois de quatro anos de ‘estudos’ e muitas mensalidades e matrículas pagas pelo esforço familiar, o jovem pobre sai da ‘faculdade’ com um canudo de advogado, de jornalista, de assistente social, disso ou daquilo, e volta para seu empreguinho de origem, no comércio, na indústria, onde puder. Doutor de canudo, anel, foto e festa de formatura, mas sem qualificação e sem mercado. Enquanto isso, seu colega (de geração) que conclui também o curso, mas ou na universidade pública ou numa PUC, já se prepara, com bolsa, para o mestrado, já pensando no doutorado no exterior. Ou já sai empregado, quando não começa a trabalhar nos últimos semestres. Cedo, recomendado pela verdadeira grife que é o só nome de sua escola, já terá conhecido os primeiros estágios profissionais.
É o ensino na sociedade de classes.
A política de cotas visa a reduzir essa injustiça. Os reacionários de todos os quadrantes bradam que isso quebrará o ‘alto’ padrão do ensino. A realidade – como sempre ela! – os desmente. Os egressos da política de cotas e de programas como o Pró-UNI têm-se revelado, no geral, excelentes alunos.
*Trechos do artigo intitulado "No Brasil, a pobreza tem cor", escrito pelo cientista político Roberto Amaral, disponível na íntegra na revista CartaCapital
Roberto Amaral*
[...]O Estado (os teóricos do reacionarismo não são burros) quando destrói a opção da escola pública, abastardando sua qualidade, está conscientemente desaparelhando o pobre na disputa do mercado de trabalho e impedindo sua ascensão social e a conquista da cidadania, pois mercado e cidadania são reservados aos ‘mais iguais’, os filhos da classe média alta. Quando o Estado põe esse pobre e esse rico “em igualdade de condições” na disputa do que quer que seja, mas principalmente na disputa de uma vaga na universidade pública, está punindo o pobre. E quando digo o pobre, refiro-me, principalmente, aos negros, porque no Brasil a pobreza tem cor. À nossa dívida pela discriminação econômica, soma-se, como elemento ético, a dívida impagável de brancos e escravocratas.
Quando destrói a escola pública, o Estado reacionário decide dificultar o acesso do pobre à escola universitária pública, gratuita e de boa qualidade, e ao fazê-lo procura reservá-la àqueles que puderam frequentar cursos preparatórios de qualidade. A decisão da sociedade de classes é essa: aos pobres a formação secundária de baixa qualidade que não os capacita nem para o vestibular da universidade pública nem para o mercado de trabalho, cada vez mais exigente; aos ricos a escola universitária de qualidade, a carreira universitária, a pesquisa, as grandes clínicas e os grandes escritórios, enfim, a reprodução do poder e da dominação. É ou não é um sistema de cotas às avessas?
As universidades públicas, sejam estaduais, sejam federais – por exemplo, a USP, a Unicamp, a UFRJ e outras que tais – são, a rigor, as únicas que oferecem, na área técnica, laboratório, pesquisa e, quase sempre, bolsas de iniciação científica, custeadas, é evidente, ora pelo CNPq, ora pela Finep, ora pela Fundação de Amparo à Pesquisa do respectivo estado. Aliás, as universidades públicas são responsáveis por algo como 80% dos cursos (respeitáveis) da área técnica, como as engenharias em geral, medicina, física etc. Por todas essas razões, seus vestibulares são os mais procurados, e, por serem os mais procurados, os mais difíceis. Ou seja, são acessíveis apenas aos vestibulandos mais bem formados, filhos da classe média, de média para alta. Com esses jovens evidentemente não podem concorrer os pobres egressos da escola pública secundária, de baixíssima qualidade, restando-lhes as inumeráveis espeluncas espalhadas pelas esquinas como os botequins, que estão, no país inteiro, há décadas, imprimindo diplomas de ensino superior sem serventia no mercado competitivo.
Mas quais são os cursos que lhes são reservados, aos pobres, na escola privada? Os técnicos? Não. Esses são caros e o ensino privado é um ramo da atividade comercial, que persegue o lucro (já há dessas empresas com ações em bolsa!). Aos pobres são destinados os cursos que não requerem laboratórios nem professores de tempo integral, que podem ser dados em salas com mais de 50/60 alunos, cuja didática depende exclusivamente de exposições do professor mal-remunerado correndo de uma escola para outra, de uma aula para outra, para assegurar o salário mensal. Depois de quatro anos de ‘estudos’ e muitas mensalidades e matrículas pagas pelo esforço familiar, o jovem pobre sai da ‘faculdade’ com um canudo de advogado, de jornalista, de assistente social, disso ou daquilo, e volta para seu empreguinho de origem, no comércio, na indústria, onde puder. Doutor de canudo, anel, foto e festa de formatura, mas sem qualificação e sem mercado. Enquanto isso, seu colega (de geração) que conclui também o curso, mas ou na universidade pública ou numa PUC, já se prepara, com bolsa, para o mestrado, já pensando no doutorado no exterior. Ou já sai empregado, quando não começa a trabalhar nos últimos semestres. Cedo, recomendado pela verdadeira grife que é o só nome de sua escola, já terá conhecido os primeiros estágios profissionais.
É o ensino na sociedade de classes.
A política de cotas visa a reduzir essa injustiça. Os reacionários de todos os quadrantes bradam que isso quebrará o ‘alto’ padrão do ensino. A realidade – como sempre ela! – os desmente. Os egressos da política de cotas e de programas como o Pró-UNI têm-se revelado, no geral, excelentes alunos.
*Trechos do artigo intitulado "No Brasil, a pobreza tem cor", escrito pelo cientista político Roberto Amaral, disponível na íntegra na revista CartaCapital
1.6.12
Exame de Ordem: A vã filosofia
Por Frederico de Almeida
No dia 28 de maio último, a Diretoria do Conselho Federal da
Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) tomou a decisão de incluir questões de Filosofia na avaliação que realiza por meio do Exame de
Ordem. O objetivo alegado pela OAB – que acatou recomendações do Colégio de
Presidentes de Comissões de Exame de Ordem e de uma comissão de especialistas –
é o de avaliar competências relacionadas à reflexão crítica e à ética dos
candidatos ao exercício da advocacia [...].
No dia 28 de maio último, a Diretoria do Conselho Federal da
Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) tomou a decisão de incluir questões de Filosofia na avaliação que realiza por meio do Exame de
Ordem. O objetivo alegado pela OAB – que acatou recomendações do Colégio de
Presidentes de Comissões de Exame de Ordem e de uma comissão de especialistas –
é o de avaliar competências relacionadas à reflexão crítica e à ética dos
candidatos ao exercício da advocacia [...].
[...] suspeito que a mera inclusão de duas questões
específicas de Filosofia do Direito, mesmo que restritas a ramos da Filosofia
essencialmente ligados à aplicação do Direito como são a Hermenêutica e a
Ética, não cumpra o objetivo esperado de se avaliar a capacidade crítica e a
carga ética do futuro advogado. Assim como o ensino e a aprendizagem da
Filosofia, em um curso de Direito, servem para fundamentar o desenvolvimento do
estudante em sua área de conhecimento específico, teórico e prático, a
avaliação de competências hermenêuticas e éticas do futuro advogado deveria se
dar de forma intrinsecamente ligada à avaliação de suas competências
jurídicas, práticas e profissionais.
Isso não será possível, contudo, por meio do acréscimo de
duas questões de Filosofia do Direito ao Exame de Ordem, ao lado de
outras tantas questões de conhecimentos específicos. Seria preciso, ao
contrário, que as questões de conhecimentos específicos, voltadas para a
avaliação de competências práticas e profissionais, fossem também capazes de
avaliar a formação geral, humanista e axiológica do futuro advogado,
colocando-o diante de situações hipotéticas nas quais a compreensão rigorosa,
científica e crítica do mundo, e a capacidade de atuação prática de acordo com
valores fossem tão importantes quanto o conhecimento "técnico"
necessário à solução de um problema jurídico.
O problema é que já há algum tempo o Exame de Ordem –
dogmático, conteudista e baseado em memorização – perdeu sua capacidade de
avaliar efetivamente competências e habilidades profissionais de futuros
advogados, para se tornar uma avaliação mal disfarçada de cursos e instituições
de ensino jurídico, um recurso de defesa de um mercado profissional saturado e
empobrecido pela massificação. Sem uma reformulação ampla do Exame de Ordem,
que passa necessariamente por uma reflexão sobre seus objetivos, introduzir a
Filosofia do Direito na prova objetiva apenas reproduz a tradição bacharelesca
e de falsa erudição do Direito brasileiro. A novidade não vai levar
necessariamente os cursos e os estudantes de Direito a uma formação crítica,
interdisciplinar e reflexiva, mas talvez dê bons retornos aos redatores de
resumos e apostilas, e aos adestradores em geral.
28.3.12
L.I.V.R.O
Um novo e revolucionário conceito de tecnologia de informação.
Na deixa da virada do milênio, anuncia-se um revolucionário conceito de tecnologia de informação, chamado de Local de Informações Variadas, Reutilizáveis e Ordenadas - L.I.V.R.O.
L.I.V.R.O. representa um avanço fantástico na tecnologia. Não tem fios, circuitos elétricos, pilhas. Não necessita ser conectado a nada nem ligado. É tão fácil de usar que até uma criança pode operá-lo. Basta abri-lo!
Cada L.I.V.R.O. é formado por uma seqüência de páginas numeradas, feitas de papel reciclável e capazes de conter milhares de informações. As páginas são unidas por um sistema chamado lombada, que as mantêm automaticamente em sua seqüência correta.
Através do uso intensivo do recurso TPA - Tecnologia do Papel Opaco - permite-se que os fabricantes usem as duas faces da folha de papel. Isso possibilita duplicar a quantidade de dados inseridos e reduzir os seus custos pela metade!
Especialistas dividem-se quanto aos projetos de expansão da inserção de dados em cada unidade. É que, para se fazer L.I.V.R.O.s com mais informações, basta se usar mais páginas. Isso, porém, os torna mais grossos e mais difíceis de serem transportados, atraindo críticas dos adeptos da portabilidade do sistema.
Cada página do L.I.V.R.O. deve ser escaneada opticamente, e as informações transferidas diretamente para a CPU do usuário, em seu cérebro. Lembramos que quanto maior e mais complexa a informação a ser transmitida, maior deverá ser a capacidade de processamento do usuário.
Outra vantagem do sistema é que, quando em uso, um simples movimento de dedo permite o acesso instantâneo à próxima página.
O L.I.V.R.O. pode ser rapidamente retomado a qualquer momento, bastando abri-lo. Ele nunca apresenta "ERRO GERAL DE PROTEÇÃO", nem precisa ser reinicializado, embora se torne inutilizável caso caia no mar, por exemplo.
O comando "browse" permite fazer o acesso a qualquer página instantaneamente e avançar ou retroceder com muita facilidade. A maioria dos modelos à venda já vem com o equipamento "índice" instalado, o qual indica a localização exata de grupos de dados selecionados.
Um acessório opcional, o marca-páginas, permite que você faça um acesso ao L.I.V.R.O. exatamente no local em que o deixou na última utilização mesmo que ele esteja fechado. A compatibilidade dos marcadores de página é total, permitindo que funcionem em qualquer modelo ou marca de L.I.V.R.O. sem necessidade de configuração.
Além disso, qualquer L.I.V.R.O. suporta o uso simultâneo de vários marcadores de página, caso seu usuário deseje manter selecionados vários trechos ao mesmo tempo. A capacidade máxima para uso de marcadores coincide com o número de páginas.
Pode-se ainda personalizar o conteúdo do L.I.V.R.O. através de anotações em suas margens. Para isso, deve-se utilizar um periférico de Linguagem Apagável Portátil de Intercomunicação Simplificada - L.A.P.I.S.
Portátil, durável e barato, o L.I.V.R.O. vem sendo apontado como o instrumento de entretenimento e cultura do futuro. Milhares de programadores desse sistema já disponibilizaram vários títulos e upgrades utilizando a plataforma L.I.V.R.O.
Millôr Fernandes. 1924 - 2012
4.2.12
3.2.12
Pra legislar sobre o hífen?
Tenho inveja quando abro um dicionário de inglês e encontro as grafias online e on-line, up to date e up-to-date, non-return e nonreturnentre outras: tanto faz escrever com hífen ou sem hífen, juntando as palavras numa só ou deixando separadas… Não podia ser assim também em português?
Já declarei em diversas ocasiões meu total apoio ao novo acordo ortográfico, não por questões propriamente linguísticas, mas pela importância política que ele reveste, principalmente para que os setores mais chauvinistas da sociedade portuguesa abandonem para sempre a pretensão idiota de achar que são os donos da língua só porque ela tem o nome do país deles. Mas confesso que essa história de querer legislar sobre o uso do hífen me tira a paciência. Com a nova ortografia, bem que podíamos ter nos livrado dessa chatice, não?
Por que não liberamos de vez o uso do hífen e deixamos que as pessoas empreguem onde e quando bem lhes der na telha? Qual a justificativa para agora escrever “mula sem cabeça” sem hífen, quanto antes era “mula-sem-cabeça”? E por que antes se escrevia “microondas” e agora tem que ser “micro-ondas”? E, principalmente, por que não deixar que as duas formas sejam usadas sem medo nem estardalhaço?
As línguas românicas (italiano, francês, espanhol, português) sofrem há séculos com a tradição purista e academicista, que impõe sobre a língua uma paranoia de correção, um monte de regras anacrônicas que impede os cidadãos de se apropriar da língua, de sentir seu idioma materno como algo que lhes pertence de absoluto e pleno direito. No caso de nações surgidas do processo colonial, como o Brasil, esse mal se transforma em doença crônica, já que o ideal de correção está sempre do outro lado do mundo. Já nos países de língua inglesa, impera uma repulsa às academias de língua, que nunca brotaram na Inglaterra nem nos Estados Unidos. O resultado é que por lá, mesmo havendo (como em todo canto) os reacionários da língua, a aceitação das formas inovadoras é muito mais rápida e tranquila: a partir do momento em que essas formas começam a aparecer com frequência na fala e na escrita das pessoas mais letradas, elas automaticamente entram para o rol do que é certo e aceitável. Por isso, um texto erudito escrito em inglês é muito mais fluente, despojado e agradável de ler, ao passo que quem escreve em francês, espanhol, italiano ou português tem que evitar ao máximo as “marcas da oralidade”, como se fossem uma doença contagiosa, e produzir textos barrocos ou, no mínimo, parnasianos.
Mas é da Alemanha que vem o exemplo mais luminoso de democracia linguística. Foi aprovada em 1996 uma reforma ortográfica da língua alemã. Mas ela só é obrigatória para o ensino e a administração pública. Fora daí, todo e qualquer cidadão pode escrever como quiser, usando as diferentes opções ortográficas da tradição de sua língua. Será que não poderíamos fazer o mesmo por aqui, pelo menos no caso desse sinalzinho ínfimo, para que seus décimos de milímetro não tirassem o sono de tanta gente boa e honesta?
*Marcos Bagno - escritor, tradutor, linguista e professor da UNB.
2.2.12
A despedida do Trema ¨
Estou indo embora. Não há mais lugar para mim.
Eu sou o trema.
Você pode nunca ter reparado em mim, mas eu estava sempre ali na Anhangüera, nos aqüíferos, nas lingüiças e seus trocadilhos por mais de quatrocentos e cinqüenta anos. Mas os tempos mudaram. Inventaram uma tal de reforma ortográfica e eu simplesmente tô fora. Fui expulso pra sempre do dicionário. Seus ingratos!
Isso é uma delinqüência de lingüistas grandiloqüentes!
O resto dos pontos e o alfabeto não me deram o menor apoio… A letra U se disse aliviada porque vou finalmente sair de cima dela. O dois-pontos disse que eu sou um preguiçoso que trabalha deitado enquanto ele fica em pé. Até o Cedilha foi a favor da minha expulsão, aquele C cagão que fica se passando por S e nunca tem coragem de iniciar uma palavra. E também aquele obeso do O e o anoréxico do I. Desesperado, tentei chamar o ponto final pra trabalharmos juntos fazendo um bico de reticências, mas ele negou, sempre encerrando logo todas as discussões. Será que se deixar um topete moicano posso me passar por aspas?
A verdade é que estou fora de moda. Quem está na moda são os estrangeiros, é o K, o W. “Kkk” pra cá, “www” pra lá. Até o jogo da velha, que ninguém nunca ligou, virou celebridade nesse tal de Twitter, que, aliás, deveria se chamar TÜITER.
Chega de argüição, mas estejam certos seus moderninhos: haverá conseqüências! Chega de piadinhas dizendo que estou “tremendo” de medo.
Tudo bem, vou-me embora da língua portuguesa. Foi bom enquanto durou. Vou para o Alemão, lá eles adoram os tremas.
E um dia vocês sentirão saudades. E não vão agüentar.
Nos vemos nos livros antigos. Saio da língua para entrar na história.
Adeus..
Trema¨
-----------------------------------------------------------------------------
A despedida do Trema¨ é de autoria de Lucas Silva - do K-Blog
1.2.12
Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa* » “Dicas do Grump”
* Desde 1º de janeiro de 2009 passou a vigorar no Brasil e em todos os países da Comunidade de Países de Língua Portuguesa o período de transição para as novas regras ortográficas que se finaliza em 31 de dezembro de 2012.
9.11.11
PM no Campus?
Acompanhando de longe e me informando sobre a repercussão da presença de polícias militares nos espaços acadêmicos/universitários - além do vídeo (já postado aqui ) com a excelente fala da estudante Marina Xisto - selecionei e vou guardar aqui trechos de mais algumas opiniões que penso oportunas para começar refletir...
Pela volta da Idade Média à USP | Mário Maestri
“Na Idade Média, era uma enorme conquista quando uma cidade obtinha uma universidade. Comumente, com ela, vinha o direito a uma ampla autonomia quando à autocracia do príncipe. Tratava-se de liberdade considerada indispensável para o novo templo do saber. Devido a isso, o campus universitário medieval possuía sua polícia própria e julgava seus alunos, funcionários, professores.
[...]
Se, na Idade Média, um senhor reitor atirasse pela janela do seu palácio a valiosa autonomia conquistada pela cidade, chamando a polícia para atuar livremente no campus, certamente seria destituído por seus pares e, possivelmente, mandado para a masmorra da Universidade, para refletir melhor sobre sua vontade de subserviência ao príncipe! Coisas da Idade Média.”
Mário Maestri.
++++
Guerra de ilusões e fantasmas na USP | Paulo Moreira Leite
[...]
“Há concretamente um choque de civilizações entre estudantes e a PM. Habituada a fazer seu trabalho junto às parcelas humildes da população, que não tem meios de defesa nem canais de denúncia e reivindicação, ao atravessar a universidade a PM entra em colisão com um mundo diferente, com outros códigos e discursos.
Em vez de encontrar cidadãos socialmente indefesos, os soldados estão diante de brasileiros e brasileiras que tem outra condição social. As estatísticas informam que as universidades públicas estão longe de constituir um abrigo exclusivo de filhinhos de papai, como sustentam os advogados de sua privatização, mas são uma instituição que abriga pessoas que estão condenadas a agir e reagir como personagens de nossa elite cultural. Essa possibilidade de resistência dificulta a aplicação, nas universidades, do simples jogo bruto que é comum em outros lugares. [...]
Mas não concordo com sua reivindicação, “Fora PM”.
[...] Sei que a corporação acumula um comportamento violento e autoritário que vai muito além do razoável. Isso está errado e é inaceitável.
O debate sobre segurança é atual e tem uma dimensão nacional. Mas nenhuma proposta de reforma ou mesmo reconstrução da PM, autoriza que se dispense o serviço da corporação.
A boa educação política ensina que é preciso separar as coisas. Numa democracia, todos precisam aprender isso.
A presença da PM na universidade não pode servir de desculpa para agressões contra estudantes.”
Paulo Moreira Leite
++++
Invasão da PM na USP teve força desproporcional | juiz José Henrique Rodrigues Torres
Rádio Brasil
++++
Muito além da polêmica sobre a presença ou não da PM no campus da USP | Raquel Rolnik
[...]
“É uma enorme falácia, dentro ou fora da universidade, dizer que presença de polícia é sinônimo de segurança e vice-versa. O modelo urbanístico do campus, segregado, unifuncional, com densidade de ocupação baixíssima e com mobilidade baseada no automóvel é o mais inseguro dos modelos urbanísticos, porque tem enormes espaços vazios, sem circulação de pessoas, mal iluminados e abandonados durante várias horas do dia e da noite. Esse modelo, como o de muitos outros campi do Brasil, foi desenhado na época da ditadura militar e até hoje não foi devidamente debatido e superado. É evidente, portanto, que a questão da segurança tem muito a ver com a equação urbanística.
Finalmente, há o debate sobre a presença ou não da PM no campus. Algumas perguntas precisam ser feitas: o campus faz parte ou não da cidade? queremos ou não que o campus faça parte da cidade? Em parte, a resposta dada hoje pela gestão da USP é que a universidade não faz parte da cidade: aqui há poucos serviços para a população, poucas moradias, não pode haver estação de metrô, exige-se carteirinha para entrar à noite e durante o fim de semana. Tudo isso combina com a lógica de que a polícia não deve entrar aqui. Mas a questão é maior: se a entrada da PM no campus significa uma restrição à liberdade de pensamento, de comportamento, de organização e de ação política, nós não deveríamos discutir isso pro conjunto da cidade? Então na USP não pode, mas na cidade toda pode? Que PM é essa?
Essas questões mostram que o que está em jogo é muito mais complexo do que a polêmica sobre a presença ou não da PM no campus.”
Raquel Rolnik
++++
Uma aula de crise | Luciano Martins Costa
[...]
“Fugindo do assunto. Os jornais não juntam esses fragmentos de fatos que revelam uma longa e persistente crise na maior universidade do país.
[...] Mas a insistência dos jornais em relacionar o descontentamento dos estudantes com a repressão ao uso de maconha esconde o mais importante: o regimento disciplinar da USP está defasado, o governo do Estado não sabe como lidar com a autonomia universitária e, definitivamente, a Polícia Militar não tem o preparo adequado para conviver com estudantes, com jovens em geral.
[...] A decretação da greve por parte dos estudantes deve ganhar a adesão de professores e funcionários, paralisando a universidade pelo resto do ano.
[...] O noticiário dos jornais vai agora se concentrar na cobertura da greve, e mais uma vez os problemas crônicos da universidade vão ficar no escuro.”
Luciano Martins Costa
Pela volta da Idade Média à USP | Mário Maestri
“Na Idade Média, era uma enorme conquista quando uma cidade obtinha uma universidade. Comumente, com ela, vinha o direito a uma ampla autonomia quando à autocracia do príncipe. Tratava-se de liberdade considerada indispensável para o novo templo do saber. Devido a isso, o campus universitário medieval possuía sua polícia própria e julgava seus alunos, funcionários, professores.
[...]
Se, na Idade Média, um senhor reitor atirasse pela janela do seu palácio a valiosa autonomia conquistada pela cidade, chamando a polícia para atuar livremente no campus, certamente seria destituído por seus pares e, possivelmente, mandado para a masmorra da Universidade, para refletir melhor sobre sua vontade de subserviência ao príncipe! Coisas da Idade Média.”
Mário Maestri.
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Guerra de ilusões e fantasmas na USP | Paulo Moreira Leite
[...]
“Há concretamente um choque de civilizações entre estudantes e a PM. Habituada a fazer seu trabalho junto às parcelas humildes da população, que não tem meios de defesa nem canais de denúncia e reivindicação, ao atravessar a universidade a PM entra em colisão com um mundo diferente, com outros códigos e discursos.
Em vez de encontrar cidadãos socialmente indefesos, os soldados estão diante de brasileiros e brasileiras que tem outra condição social. As estatísticas informam que as universidades públicas estão longe de constituir um abrigo exclusivo de filhinhos de papai, como sustentam os advogados de sua privatização, mas são uma instituição que abriga pessoas que estão condenadas a agir e reagir como personagens de nossa elite cultural. Essa possibilidade de resistência dificulta a aplicação, nas universidades, do simples jogo bruto que é comum em outros lugares. [...]
Mas não concordo com sua reivindicação, “Fora PM”.
[...] Sei que a corporação acumula um comportamento violento e autoritário que vai muito além do razoável. Isso está errado e é inaceitável.
O debate sobre segurança é atual e tem uma dimensão nacional. Mas nenhuma proposta de reforma ou mesmo reconstrução da PM, autoriza que se dispense o serviço da corporação.
A boa educação política ensina que é preciso separar as coisas. Numa democracia, todos precisam aprender isso.
A presença da PM na universidade não pode servir de desculpa para agressões contra estudantes.”
Paulo Moreira Leite
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Invasão da PM na USP teve força desproporcional | juiz José Henrique Rodrigues Torres
Rádio Brasil
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Muito além da polêmica sobre a presença ou não da PM no campus da USP | Raquel Rolnik
[...]
“É uma enorme falácia, dentro ou fora da universidade, dizer que presença de polícia é sinônimo de segurança e vice-versa. O modelo urbanístico do campus, segregado, unifuncional, com densidade de ocupação baixíssima e com mobilidade baseada no automóvel é o mais inseguro dos modelos urbanísticos, porque tem enormes espaços vazios, sem circulação de pessoas, mal iluminados e abandonados durante várias horas do dia e da noite. Esse modelo, como o de muitos outros campi do Brasil, foi desenhado na época da ditadura militar e até hoje não foi devidamente debatido e superado. É evidente, portanto, que a questão da segurança tem muito a ver com a equação urbanística.
Finalmente, há o debate sobre a presença ou não da PM no campus. Algumas perguntas precisam ser feitas: o campus faz parte ou não da cidade? queremos ou não que o campus faça parte da cidade? Em parte, a resposta dada hoje pela gestão da USP é que a universidade não faz parte da cidade: aqui há poucos serviços para a população, poucas moradias, não pode haver estação de metrô, exige-se carteirinha para entrar à noite e durante o fim de semana. Tudo isso combina com a lógica de que a polícia não deve entrar aqui. Mas a questão é maior: se a entrada da PM no campus significa uma restrição à liberdade de pensamento, de comportamento, de organização e de ação política, nós não deveríamos discutir isso pro conjunto da cidade? Então na USP não pode, mas na cidade toda pode? Que PM é essa?
Essas questões mostram que o que está em jogo é muito mais complexo do que a polêmica sobre a presença ou não da PM no campus.”
Raquel Rolnik
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Uma aula de crise | Luciano Martins Costa
[...]
“Fugindo do assunto. Os jornais não juntam esses fragmentos de fatos que revelam uma longa e persistente crise na maior universidade do país.
[...] Mas a insistência dos jornais em relacionar o descontentamento dos estudantes com a repressão ao uso de maconha esconde o mais importante: o regimento disciplinar da USP está defasado, o governo do Estado não sabe como lidar com a autonomia universitária e, definitivamente, a Polícia Militar não tem o preparo adequado para conviver com estudantes, com jovens em geral.
[...] A decretação da greve por parte dos estudantes deve ganhar a adesão de professores e funcionários, paralisando a universidade pelo resto do ano.
[...] O noticiário dos jornais vai agora se concentrar na cobertura da greve, e mais uma vez os problemas crônicos da universidade vão ficar no escuro.”
Luciano Martins Costa
8.11.11
#OcupaUnir - PF na Unir - greve, prisões e ameaças
Professores da Universidade Federal de Rondônia (Unir) não abandonam a luta, embora estejam assustados. Desde a prisão do professor de história Valdir Aparecido de Sousa, em 21 de outubro de 2011, por policiais federais à paisana, em cenas de truculência gravadas em vídeo. O prof. Sousa está solto, em liberdade provisória, mas precisa seguir uma série de determinações imposta judicialmente, como não se reunir com os grevistas. A greve na Unir, que já dura cerca de dois meses, não tem data para acabar e deve virar o ano. As negociações estão emperradas. Estudantes e professores estão unidos contra o reitor José Januário de Oliveira Amaral.
Acesse Comando de Greve Unir
27.10.11
STF confirma constitucionalidade do Exame da Ordem
A exigência de aprovação prévia em exame da Ordem dos Advogados do Brasil - OAB para que bacharéis em direito possam exercer a advocacia foi considerada constitucional pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal - STF, durante sessão realizada em 26-10-2011.
Por unanimidade, os ministros negaram provimento ao Recurso Extraordinário - RE 603583 que questionava a obrigatoriedade do exame. O recurso foi proposto pelo bacharel João Antonio Volante, que colou grau em 2007, na Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), localizada em Canoas/RS, ele afirmava que o exame para inscrição na OAB seria inconstitucional, contrariando os princípios da dignidade da pessoa humana, da igualdade e do livre exercício das profissões, entre outros.
Mas a tese de inconstitucionalidade do Exame (previsto na Lei 8.906/94) foi rejeitada pelos nove ministros que participaram do julgamento - Marco Aurelio (relator), Luiz Fux, Dias Toffoli, Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowski, Carlos Ayres Britto, Gilmar Mendes, Celso de Mello e o presidente da Corte, Cezar Peluso. À unanimidade, eles confirmaram a constitucionalidade do Exame aplicado nacionalmente pelo Conselho Federal da Ordem OAB. E, como o recurso teve repercussão geral reconhecida, a decisão nesse processo será aplicada a todos os demais que tenham pedido idêntico.
O relator do caso, ministro Marco Aurélio, no início de seu voto, criticou a proliferação de cursos de direito de baixo custo: “vende-se o sonho, entrega-se o pesadelo”, disse o ministro. Após, considerou que o dispositivo questionado do Estatuto da Advocacia não afronta a liberdade de ofício prevista no inciso XIII, artigo 5º, da Constituição Federal, conforme argumentava o bacharel em direito autor do recurso. Para o ministro, embora o referido comando constitucional impeça o Estado de opor qualquer tipo de embaraço ao direito dos cidadãos de obter habilitação para a prática profissional, quando o exercício de determinada profissão transcende os interesses individuais e implica riscos para a coletividade, “cabe limitar o acesso à profissão em função do interesse coletivo”. “O constituinte limitou as restrições de liberdade de ofício às exigências de qualificação profissional”, afirmou o ministro Marco Aurélio, ao citar o próprio inciso XIII, artigo 5º, da Carta Magna, que prevê para o livre exercício profissional o respeito às qualificações estabelecidas em lei.
A votação acompanhou o entendimento do relator, ministro Marco Aurélio, no sentido de que a prova, prevista na Lei 8.906/94 (Estatuto da Advocacia), não viola qualquer dispositivo constitucional, concluindo, assim, os demais ministros presentes à sessão: Luiz Fux, Dias Toffoli, Cármen Lúcia Antunes Rocha, Ricardo Lewandowski, Ayres Britto, Gilmar Mendes, Celso de Mello e Cezar Peluso.
Destaque-se, aqui, a manifestação do ministro Luiz Fux na parte que apontou que o exame da OAB caminha para a inconstitucionalidade se não forem criadas formas de tornar sua organização mais pluralista. “Parece plenamente razoável que outros setores da comunidade jurídica passem a ter assento nas comissões de organização e nas bancas examinadoras do exame de Ordem, o que, aliás, tende a aperfeiçoar o certame, ao proporcionar visão mais pluralista da prática jurídica”, disse. Para Fux, manter a elaboração e organização do exame somente nas mãos de integrantes da OAB pode suscitar questionamentos em relação à observância, pela entidade, de princípios democráticos e republicanos. “Cumpre à OAB atender às exigências constitucionais de legitimação democrática da sua atuação, que envolve, entre outros requisitos, a abertura de seus procedimentos à participação de outros seguimentos da sociedade”, reiterou. Para o ministro, a forma como o exame é produzido atualmente é uma “falha” que acarretará, no futuro, “a efetiva inconstitucionalidade da disciplina do exame da OAB”.
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Bueno, confirmada a constitucionalidade do Exame da Ordem, convém, agora, evoluir na trilha da crítica feita pelo ministro Luiz Fux, qual seja: Se há um problema com o Exame, está na própria lei que o regula e legitima a concentração de poder e falta de transparência da OAB. Em outras palavras, no fato de a OAB fazer o Exame e também fiscalizá-lo, sem submeter seus atos a ninguém. Eis uma das questões...
E, somando-se a isso, oportuno ainda debater e evoluir quanto à forma e ao conteúdo das atuais provas aplicadas nos bachareis em direito; e, igualmente, acerca dos limites que impõem ao ensino jurídico. Até porque, como referiu o prof. Moysés Neto -via Twitter:
“Exame da OAB e concursos estimulam a pior visão possível do direito: legalismo, superficialidade, decoreba, dogmatismo e conformismo. Resultado é uma geração em que, salvo raríssimas exceções, formamos juízes, advogados e promotores sem mínima bagagem cultural.” E completa ele, o “problema maior do exame da OAB não é com bacharéis; bons estudantes sempre conseguem passar. Problema são reflexos no ensino jurídico.”
Eis algumas inquietações que realmente merecem ser pensadas, debatidas...
Por unanimidade, os ministros negaram provimento ao Recurso Extraordinário - RE 603583 que questionava a obrigatoriedade do exame. O recurso foi proposto pelo bacharel João Antonio Volante, que colou grau em 2007, na Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), localizada em Canoas/RS, ele afirmava que o exame para inscrição na OAB seria inconstitucional, contrariando os princípios da dignidade da pessoa humana, da igualdade e do livre exercício das profissões, entre outros.
Mas a tese de inconstitucionalidade do Exame (previsto na Lei 8.906/94) foi rejeitada pelos nove ministros que participaram do julgamento - Marco Aurelio (relator), Luiz Fux, Dias Toffoli, Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowski, Carlos Ayres Britto, Gilmar Mendes, Celso de Mello e o presidente da Corte, Cezar Peluso. À unanimidade, eles confirmaram a constitucionalidade do Exame aplicado nacionalmente pelo Conselho Federal da Ordem OAB. E, como o recurso teve repercussão geral reconhecida, a decisão nesse processo será aplicada a todos os demais que tenham pedido idêntico.
O relator do caso, ministro Marco Aurélio, no início de seu voto, criticou a proliferação de cursos de direito de baixo custo: “vende-se o sonho, entrega-se o pesadelo”, disse o ministro. Após, considerou que o dispositivo questionado do Estatuto da Advocacia não afronta a liberdade de ofício prevista no inciso XIII, artigo 5º, da Constituição Federal, conforme argumentava o bacharel em direito autor do recurso. Para o ministro, embora o referido comando constitucional impeça o Estado de opor qualquer tipo de embaraço ao direito dos cidadãos de obter habilitação para a prática profissional, quando o exercício de determinada profissão transcende os interesses individuais e implica riscos para a coletividade, “cabe limitar o acesso à profissão em função do interesse coletivo”. “O constituinte limitou as restrições de liberdade de ofício às exigências de qualificação profissional”, afirmou o ministro Marco Aurélio, ao citar o próprio inciso XIII, artigo 5º, da Carta Magna, que prevê para o livre exercício profissional o respeito às qualificações estabelecidas em lei.
A votação acompanhou o entendimento do relator, ministro Marco Aurélio, no sentido de que a prova, prevista na Lei 8.906/94 (Estatuto da Advocacia), não viola qualquer dispositivo constitucional, concluindo, assim, os demais ministros presentes à sessão: Luiz Fux, Dias Toffoli, Cármen Lúcia Antunes Rocha, Ricardo Lewandowski, Ayres Britto, Gilmar Mendes, Celso de Mello e Cezar Peluso.
Destaque-se, aqui, a manifestação do ministro Luiz Fux na parte que apontou que o exame da OAB caminha para a inconstitucionalidade se não forem criadas formas de tornar sua organização mais pluralista. “Parece plenamente razoável que outros setores da comunidade jurídica passem a ter assento nas comissões de organização e nas bancas examinadoras do exame de Ordem, o que, aliás, tende a aperfeiçoar o certame, ao proporcionar visão mais pluralista da prática jurídica”, disse. Para Fux, manter a elaboração e organização do exame somente nas mãos de integrantes da OAB pode suscitar questionamentos em relação à observância, pela entidade, de princípios democráticos e republicanos. “Cumpre à OAB atender às exigências constitucionais de legitimação democrática da sua atuação, que envolve, entre outros requisitos, a abertura de seus procedimentos à participação de outros seguimentos da sociedade”, reiterou. Para o ministro, a forma como o exame é produzido atualmente é uma “falha” que acarretará, no futuro, “a efetiva inconstitucionalidade da disciplina do exame da OAB”.
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Bueno, confirmada a constitucionalidade do Exame da Ordem, convém, agora, evoluir na trilha da crítica feita pelo ministro Luiz Fux, qual seja: Se há um problema com o Exame, está na própria lei que o regula e legitima a concentração de poder e falta de transparência da OAB. Em outras palavras, no fato de a OAB fazer o Exame e também fiscalizá-lo, sem submeter seus atos a ninguém. Eis uma das questões...
E, somando-se a isso, oportuno ainda debater e evoluir quanto à forma e ao conteúdo das atuais provas aplicadas nos bachareis em direito; e, igualmente, acerca dos limites que impõem ao ensino jurídico. Até porque, como referiu o prof. Moysés Neto -via Twitter:
“Exame da OAB e concursos estimulam a pior visão possível do direito: legalismo, superficialidade, decoreba, dogmatismo e conformismo. Resultado é uma geração em que, salvo raríssimas exceções, formamos juízes, advogados e promotores sem mínima bagagem cultural.” E completa ele, o “problema maior do exame da OAB não é com bacharéis; bons estudantes sempre conseguem passar. Problema são reflexos no ensino jurídico.”
Eis algumas inquietações que realmente merecem ser pensadas, debatidas...
25.7.11
Conduta antiética na produção científica
A publicação de artigos científicos de pesquisadores brasileiros pode ter problemas de conduta ética em sua produção. O alerta é de Jesusmar Ximenes Andrade, autor da Tese de doutorado da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA/USP) que aborda o tema. Citações de fontes não consultadas na bibliografia dos trabalhos acadêmicos e coautorias forjadas são algumas das ocorrências mais frequentes de acordo com a tese defendida em abril, sob orientação do professor Gilberto de Andrade Martins.
Entre as condutas mais comuns, segundo os resultados desse estudo, aparece a de pesquisadores creditarem outros como coautores sem que estes tenham contribuído na construção e sistematização da pesquisa. Isso com o intuito de que, em outro trabalho, haja a retribuição do favor. “Pesquisadores que fazem isso podem ter vantagem em concursos públicos ou em indicações para projetos de pesquisas pois teriam mais publicações que outros”, explica Andrade. Além disso, com a coautoria, ao assinarem dois artigos em vez de um, os falsos parceiros aumentam sua produtividade, quesito que é avaliado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).
O autor da tese, que é professor adjunto da Universidade Federal do Piauí (UFPI), destaca o fato de os resultados de sua pesquisa dizerem respeito à “má conduta na pesquisa das ciências contábeis”, mas avalia que “não encontraríamos resultados muito diferentes se fôssemos para um censo”, incluindo todos os campos científicos.
Para ele, o Brasil mantém o foco na quantidade, critério que fez o país ocupar o décimo terceiro lugar na produção científica internacional, e não se preocupa com a qualidade. “Por que o Brasil não tem um [Prêmio] Nobel?”, pergunta ao afirmar que “a quantidade que nós estamos buscando é infinitamente desproporcional à qualidade dos estudos que estamos produzindo”.
A busca por quantidade é almejada por todos os pesquisadores, de acordo com Andrade. “Seja para conseguir recursos ou para obter status dentro da academia.” Em sua opinião, “para buscar essa quantidade, esse volume, termina-se utilizando certos artifícios que, segundo foi observado, não são condutas livres de suspeita. São condutas impregnadas de comportamentos antiéticos”.
Ler mais sobre o assunto em:
Agência USP de Notícias » Pressão da Capes pode incentivar má conduta de pesquisadores.
Agência Brasil » Tese da USP aponta para possibilidade de comportamento antiético na publicação de artigos científicos.
CartaCapital » Antiética na produção científica.
Entre as condutas mais comuns, segundo os resultados desse estudo, aparece a de pesquisadores creditarem outros como coautores sem que estes tenham contribuído na construção e sistematização da pesquisa. Isso com o intuito de que, em outro trabalho, haja a retribuição do favor. “Pesquisadores que fazem isso podem ter vantagem em concursos públicos ou em indicações para projetos de pesquisas pois teriam mais publicações que outros”, explica Andrade. Além disso, com a coautoria, ao assinarem dois artigos em vez de um, os falsos parceiros aumentam sua produtividade, quesito que é avaliado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).
O autor da tese, que é professor adjunto da Universidade Federal do Piauí (UFPI), destaca o fato de os resultados de sua pesquisa dizerem respeito à “má conduta na pesquisa das ciências contábeis”, mas avalia que “não encontraríamos resultados muito diferentes se fôssemos para um censo”, incluindo todos os campos científicos.
Para ele, o Brasil mantém o foco na quantidade, critério que fez o país ocupar o décimo terceiro lugar na produção científica internacional, e não se preocupa com a qualidade. “Por que o Brasil não tem um [Prêmio] Nobel?”, pergunta ao afirmar que “a quantidade que nós estamos buscando é infinitamente desproporcional à qualidade dos estudos que estamos produzindo”.
A busca por quantidade é almejada por todos os pesquisadores, de acordo com Andrade. “Seja para conseguir recursos ou para obter status dentro da academia.” Em sua opinião, “para buscar essa quantidade, esse volume, termina-se utilizando certos artifícios que, segundo foi observado, não são condutas livres de suspeita. São condutas impregnadas de comportamentos antiéticos”.
Ler mais sobre o assunto em:
Agência USP de Notícias » Pressão da Capes pode incentivar má conduta de pesquisadores.
Agência Brasil » Tese da USP aponta para possibilidade de comportamento antiético na publicação de artigos científicos.
CartaCapital » Antiética na produção científica.
2.7.11
# Criminologia de Garagem # 3 - Grandes Marchas
No Programa # 3 os apresentadores debatem as Grandes Marchas contemporâneas
Primavera Árabe, Marcha das Putas, Marcha da Maconha, Marcha da Liberdade.
Na trilha sonora Beirut e Rage Against the Machine.
# Criminologia de Garagem # |Criminologia e Rock| é um projeto desenvolvido pelos profs: Felipe Moreira de Oliveira (PUCRS), Moysés Pinto Neto (ULBRA) e Salo de Carvalho (UFRGS), editado pelo jornalista Fernando Rotta.
No Programa # 3 os apresentadores debatem as Grandes Marchas contemporâneas
Primavera Árabe, Marcha das Putas, Marcha da Maconha, Marcha da Liberdade.
Na trilha sonora Beirut e Rage Against the Machine.
# Criminologia de Garagem # |Criminologia e Rock| é um projeto desenvolvido pelos profs: Felipe Moreira de Oliveira (PUCRS), Moysés Pinto Neto (ULBRA) e Salo de Carvalho (UFRGS), editado pelo jornalista Fernando Rotta.
6.6.11
“Por uma vida melhor” – nóis tem de se informa...
Há semanas, o livro didático Por uma vida melhor, da coleção Viver, Aprender, adotado pelo Programa Nacional do Livro, do Ministério da Educação, e distribuído para estudantes da educação de jovens e adultos (EJA), provoca uma grande polêmica. Na voz repetida incessantemente dos críticos de plantão, este livro do MEC estaria supostamente incentivando a escrever errado, desprezando a norma culta.
Essa reação negativa de certos setores da mídia, reproduzida por alguns congressistas da oposição, é fortemente questionada por estudiosos da língua portuguesa, os quais afirmam que, além da discussão estar fora de foco, o conteúdo em debate não traz nenhum absurdo, tanto no estudo da linguística quanto em termos de metodologia.
Para não ficar por aí - escrevendo e reproduzindo o que não se sabe tampouco se domina - deixo aqui algumas dicas/fontes que oferecem argumentos esclarecedores a respeito do assunto.
Então, vale acessar a organização Ação Educativa, para entender o caso, lendo o dossiê especial |aqui|, assim como o arquivo organizado pelo MEC |aqui|. E destaque para a entrevista como os autores do livro: Heloisa Ramos, Claudio Bazzoni e Mirella Cleto |aqui|.
Outras excelentes entrevistas são as realizadas pela UnivespTv. Entre elas, a entrevista com Ataliba Castilho, pesquisador e professor aposentado da USP e da Unicamp, bem como com José Luiz Fiorin, doutor em Linguística pela USP e um dos maiores especialistas brasileiros em pragmática, semiótica e análise do discurso. Veja:
Além dessas, vale destacar o programa do Observatório da Imprensa, do último dia 24, que dá atenção tanto ao aspecto linguístico, como midiático dessa polêmica. O programa mostra a opinião do escritor Affonso Romano Sant´Anna, do professor e gramático Evanildo Bechara (membro da ABL) e do advogado Sergio Bermudes. Além do mediador Alberto Dines contar com a participação direta dos gramáticos Deonísio Silva e Sérgio Nogueira, bem como do prof. dr. Marcos Bagno (UnB). Assista:
Essa reação negativa de certos setores da mídia, reproduzida por alguns congressistas da oposição, é fortemente questionada por estudiosos da língua portuguesa, os quais afirmam que, além da discussão estar fora de foco, o conteúdo em debate não traz nenhum absurdo, tanto no estudo da linguística quanto em termos de metodologia.
Para não ficar por aí - escrevendo e reproduzindo o que não se sabe tampouco se domina - deixo aqui algumas dicas/fontes que oferecem argumentos esclarecedores a respeito do assunto.
Então, vale acessar a organização Ação Educativa, para entender o caso, lendo o dossiê especial |aqui|, assim como o arquivo organizado pelo MEC |aqui|. E destaque para a entrevista como os autores do livro: Heloisa Ramos, Claudio Bazzoni e Mirella Cleto |aqui|.
Outras excelentes entrevistas são as realizadas pela UnivespTv. Entre elas, a entrevista com Ataliba Castilho, pesquisador e professor aposentado da USP e da Unicamp, bem como com José Luiz Fiorin, doutor em Linguística pela USP e um dos maiores especialistas brasileiros em pragmática, semiótica e análise do discurso. Veja:
Além dessas, vale destacar o programa do Observatório da Imprensa, do último dia 24, que dá atenção tanto ao aspecto linguístico, como midiático dessa polêmica. O programa mostra a opinião do escritor Affonso Romano Sant´Anna, do professor e gramático Evanildo Bechara (membro da ABL) e do advogado Sergio Bermudes. Além do mediador Alberto Dines contar com a participação direta dos gramáticos Deonísio Silva e Sérgio Nogueira, bem como do prof. dr. Marcos Bagno (UnB). Assista:
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